União Europeia proíbe exportação de carne bovina brasileira por uso de antibióticos na pecuária

Publicado em: 15/06 09:00

União Europeia proíbe exportação de carne bovina brasileira por uso de antibióticos na pecuária

Brasil excluído do mercado europeu de carne bovina

A preocupação com infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos tem gerado significativa mudança nas políticas de comércio e saúde pública na União Europeia (UE). No início de maio, a UE decidiu excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco europeu, uma medida que deve entrar em vigor em 3 de setembro. Essa decisão acendeu debate acalorado tanto em terras brasileiras quanto no mercado europeu, visto que o Brasil é um dos principais exportadores agrícolas do Mercosul.

Motivos da exclusão

A exclusão do Brasil não foi resultado de irregularidades detectadas nas cargas de carne brasileira, mas sim pela falta de apresentação da documentação exigida pela UE que comprovasse a fiscalização rigorosa do uso de substâncias antimicrobianas na pecuária. Antimicrobianos são amplamente utilizados na criação de animais, seja para tratar infecções, prevenir doenças ou até mesmo promover o crescimento dos mesmos.

Os representantes do setor agropecuário brasileiro denunciam esta ação da UE como sendo protecionista, principalmente pois a decisão veio logo após a aplicação do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul, que já enfrentava forte resistência por parte dos agricultores europeus. Com o temor de que produtos sul-americanos, especialmente os brasileiros, competissem em termos de preço e qualidade, a atitude da UE ganha ares de um movimento estratégico de defesa do mercado local.

Exigências da União Europeia

A utilização de antimicrobianos na pecuária não é um tema novo dentro da UE. Desde a década de 1990, os regulamentos começaram a se intensificar, culminando em proibições rigorosas. Em 2006, o bloco já havia banido o uso de antibióticos na ração como promotores de crescimento. Em 2019, essa regulamentação foi ampliada, estabelecendo critérios ainda mais rígidos para a produção de carne, leite, ovos e outros produtos de origem animal.

De acordo com as normas europeias, os países que exportam para a UE devem não somente evitar o uso de antimicrobianos visando o crescimento, mas também não utilizar aqueles que são reservados para a medicina humana. Essa preocupação se relaciona diretamente à resistência aos antimicrobianos, um problema crescente e considerado uma das principais ameaças à saúde pública global.

Impacto das substâncias na saúde pública

A resistência aos antimicrobianos (RAM) é uma questão de grande preocupação e, em 2022, a UE já a classificou como uma das maiores ameaças à saúde humana. A campanha One Health, lançada em 2023, busca integrar ações de saúde humana, animal e ambiental, reiterando a conexão direta entre essas esferas. A relação entre antibióticos usados na agricultura e a saúde humana é reforçada por especialistas que alertam para o risco de que bactérias resistentes possam se disseminar a partir de propriedades rurais.

Um dos compostos frequentemente utilizados na pecuária brasileira é a monensina. Embora não esteja na lista da UE como um antibiótico humano, sua função como aditivo alimentar e seu uso para o ganho de peso em bovinos podem colocá-la sob escrutínio e impactar as negociações. Especialistas do setor, como André Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, ressaltam que essa substância melhora a digestão e aumento de eficiência alimentar, mas não promove crescimento diretamente.

A visão do setor agropecuário

A agroindústria brasileira tem se posicionado, afirmando que o uso de antibióticos é controlado e respeita normas de segurança, garantindo um período de carência entre a administração de medicamentos e o abate. A economia brasileira, que depende significativamente do agronegócio e da exportação de carne, vê a exigência europeia como uma oportunidade de rever e aprimorar suas práticas de manejo.

Leonardo Munhoz, doutor em Direito Agroambiental, aponta que que as regulações brasileiras precisam ser mais ágeis, se antecipando às demandas da UE que já tratam a questão da resistência aos antimicrobianos há décadas. A exclusão do Brasil do mercado europeu de carne pode resultar em perdas significativas e necessita de uma resposta rápida do governo e da indústria para reequipar o setor.

Considerações finais

Em meio a essa situação, a saúde pública global deve estar no centro do debate. É crucial garantir que a carne que chega aos consumidores esteja livre de resíduos nocivos e que as práticas de produção animal estejam em conformidade com padrões internacionais. O desafio que o Brasil enfrenta é encontrar um equilíbrio entre as necessidades do mercado e as preocupações com a saúde pública, garantindo a competitividade do setor no cenário global.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: União Europeia, carne bovina, Brasil, antimicrobianos, resistência a antibióticos, exportação, saúde pública, agricultor, Mercosul, regulamentos, segurança alimentar,

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