União Europeia Exclui Brasil de Lista de Exportação de Carnes: Impactos e Desafios
A União Europeia (UE) oficializou na última sexta-feira, 5 de setembro, uma decisão que pode impactar severamente o setor agropecuário brasileiro: o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar carnes para o bloco europeu. A proibição, que entra em vigor a partir de 3 de setembro deste ano, se deve ao não cumprimento das normas relativas ao uso de antimicrobianos na pecuária.
Essa medida representa uma perda significativa para o Brasil, que, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura, gera quase US$ 2 bilhões anualmente em exportações de carnes para a UE, a segunda maior mercado do país, atrás apenas da China. Em 2025, o volume de produtos exportados atingiu 368,1 mil toneladas, resultando em receitas de US$ 1,8 bilhão.
Impacto nas Exportações de Carnes
A UE foi um dos principais compradores da carne brasileira, contabilizando 5,7% do total das exportações do setor. A exclusão do Brasil da lista de países autorizados implica que os produtos brasileiros, como carne bovina, de frango e até mel, estão proibidos de entrar no mercado europeu. Isso representa um golpe severo, especialmente considerando que apenas no setor de carne bovina, o Brasil arrecadou US$ 1,048 bilhão em exportações para o bloco europeu em 2025.
Além disso, as vendas de carne de frango para a UE também foram expressivas, totalizando US$ 762 milhões em um volume de 230 mil toneladas. O mel, que viu um total de mil toneladas exportadas, também será afetado. Vale destacar que, por outro lado, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, mantêm suas autorizações para exportar carne à UE, o que pode acentuar ainda mais a competitividade nesse mercado.
Compreendendo a Exclusão
Segundo o doutor Leonardo Munhoz, especialista em Direito Agroambiental, a decisão da UE não se restringe ao uso de um antimicrobiano específico, mas sim à necessidade de um controle mais rigoroso sobre a utilização dessas substâncias na pecuária. “O ponto central parece ser a capacidade do Brasil de comprovar fiscalização, rastreabilidade e conformidade sanitária das cadeias exportadoras perante as autoridades europeias”, explica Munhoz.
A UE tem implementado restrições crescentes sobre o uso de antimicrobianos, visando coibir seu uso não terapêutico e garantindo assim a segurança alimentar e a saúde pública. O Brasil teve dificuldades em atender a exigência de provar que não utiliza substâncias proibidas para fins de crescimento animal, como a virginiamicina e a avoparcina.
Desafios para o Agro Brasileiro
A decisão tem gerado conversas entre o Ministério das Relações Exteriores e a União Europeia, na busca por reverter a proibição, mas os desafios persistem. O Ministro Mauro Vieira já iniciou discussões com o comissário de Comércio europeu, buscando um caminho para a reconsideração da exclusão.
De acordo com Munhoz, o Brasil deve restringir legalmente o uso de antimicrobianos proibidos ou estabelecer um controle rigoroso que garanta que os produtos exportados não contenham essas substâncias. A implementação dessa rastreabilidade é uma tarefa desafiadora, pois depende de processos que podem ser demorados e onerosos.
O Que Esperar de Futuras Relações Comerciais
Entre os desafios evidentes, está a necessidade urgente de aumentar o controle e a conformidade das cadeias produtivas brasileiras com as exigências europeias. Munhoz alerta que a exclusão é uma preocupação significativa para o agro brasileiro, dado que a União Europeia é um mercado estratégico não apenas para a carne, mas também para outras proteínas animais.
Enquanto o Brasil trabalha para se adequar às normas da UE e recuperar seu status de exportador, é fundamental que as autoridades e os produtores tenham uma visão clara das diretrizes de rastreabilidade e segurança alimentar que estão se tornando cada vez mais rigorosas a nível global. No futuro, a habilidade do país em atender a essas exigências será determinante para o sucesso das suas exportações e a manutenção de clientes em mercados internacionais.
Portanto, as questões de conformidade e rastreabilidade não são apenas desafios, mas oportunidades para o Brasil se firmar como um fornecedor confiável e sustentável de proteínas animais, se adequando às exigências do mercado global.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: União Europeia, Brasil, carnes, antimicrobianos, exportações, proteína animal, rastreabilidade, mercado europeu, setor agropecuário,
