Transformação da Produção de Banana: Amido Como Nova Oportunidade de Renda no Espírito Santo
Uma pesquisa inovadora do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) está mudando a forma como a banana é aproveitada no estado. O estudo se concentra no uso das bananas que seriam descartadas e as transforma em amido, visando minimizar o desperdício e aumentar a renda dos agricultores, ao mesmo tempo que fornece um insumo valioso para a indústria alimentícia.
Desperdício e Oportunidade: O Desafio da Banana no ES
Atualmente, os produtores de banana enfrentam uma perda significativa, com cerca de 10% da colheita sendo descartada. Frutas que não atingem o padrão de venda - como as pequenas, machucadas ou danificadas durante o manuseio - frequentemente terminam como adubo ou ração para animais. No entanto, uma parte considerável ainda vai para o lixo, contribuindo para o problema do desperdício alimentar.
A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), busca reverter essa situação ao desenvolver uma nova cadeia produtiva que utiliza esses frutos descartados. De acordo com Alciro Lazzarini, extensionista do Incaper, “O impacto seria enorme, pois essas bananas que hoje viram adubo poderiam ser aproveitadas na produção de farinha ou amido, reduzindo assim o desperdício.”
Amido de Banana: Uma Solução Sustentável e Rentável
O amido produzido a partir das bananas que seriam descartadas pode abrir novas portas para o setor industrial. A produção pode não só oferecer um novo destino para as bananas em vez de irem para o lixo, mas também gerar empregos e renda extra para os agricultores locais. Lazzarini destacou que “Com essa produção, poderíamos ter empresas gerando empregos e uma renda adicional, potencialmente até mil reais a mais por mês para cada produtor.”
A indústria, por sua vez, também se beneficiaria. Ao utilizar o amido de banana, seria possível regular os preços do mercado, proporcionando uma maior estabilidade para os produtores. Além disso, a nova produção poderia contribuir para uma economia circular, onde o desperdício é minimizado e os recursos são utilizados de forma mais eficiente.
O Papel da Banana na Economia Capixaba
No Espírito Santo, a banana é uma cultura relevante e é plantada em 75 dos 78 municípios. O município de Alfredo Chaves se destaca como o maior produtor, com uma produção superior a 44 toneladas por ano, em uma área de 3.200 hectares, segundo dados do Incaper. A maioria da produção em Alfredo Chaves provém da agricultura familiar, que é fundamental para a economia local.
Produtores como Seu Antônio Carlos Petri, que cultiva banana-prata, ressaltam a importância da cultura: “A cultura da banana é tradicional aqui no município. Temos um carinho especial porque ela distribui renda o ano todo. A banana é crucial para nós.” Seu Antônio também expressou otimismo quanto ao aumento da produtividade de sua propriedade com as novas práticas sugeridas.
O Futuro da Produção de Banana no Espírito Santo
O Espírito Santo está entre os maiores produtores de banana do Brasil, com uma colheita regular durante o ano. Com 28.600 hectares plantados e uma produção média anual de 400 mil toneladas, a banana capixaba abastece mercados importantes em estados como Santa Catarina, Goiás, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
A nova pesquisa representa uma mudança significativa não apenas para os agricultores, mas também para toda a cadeia produtiva. Com a introdução do amido proveniente das bananas descartadas, o setor pode inovar e se readequar às demandas do mercado, ao mesmo tempo que contribui para a redução do desperdício. A solução proposta é um dos exemplos brilhantes de como a inovação e sustentabilidade podem andar juntas, trazendo benefícios econômicos e ambientais para a região.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: produção de banana, amido de banana, desperdício alimentar, renda extra, agricultura familiar, Espírito Santo,
