Tarifa de 50% sobre Café Brasileiro Gera Crise no Mercado Norte-Americano
Em um cenário de crescente tensão comercial, as importadoras norte-americanas de café brasileiro estão enfrentando uma crise significativa após a imposição de uma tarifa de 50% sobre os grãos provenientes do Brasil. A tarifa, que entrou em vigor em 6 de agosto de 2025, impactou diretamente o acesso a um produto que respondia por cerca de um terço do consumo de café nos Estados Unidos — o país que mais consome essa bebida no mundo.
Desde que a medida foi anunciada, uma série de complicações surgiram. Importadores estão lutando para reverter estoques e adaptando suas estratégias comerciais na esperança de um eventual acordo entre os presidentes dos dois países, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo relatos, a situação se tornou insustentável: cargas de café brasileiro estão paradas, contratos estão sendo cancelados e os preços ao consumidor aumentaram até 40%.
Steven Walter Thomas, proprietário da importadora Lucatelli Coffee, expressou sua frustração com a tarifa, classificando-a como uma medida punitiva e política. “Não se trata de reciprocidade ou comércio, é punitiva, política e pessoal. É entre Trump e Lula,” declarou Thomas, enfatizando que ele e seus clientes são os que estão pagando o preço dessa disputa.
A Indústria do Café sob Pressão
A medida tarifária imposta por Trump não apenas prejudicou os importadores, mas também causou estragos em toda a cadeia do café nos EUA. Com as importadoras correndo contra o tempo para evitar a perda de produto e capital, algumas estão buscando redirecionar o café brasileiro para outros países, como o Canadá. Essa estratégia, embora evasiva em relação às tarifas, acaba elevando os custos de transporte e complicando ainda mais a logística.
A Lucatelli Coffee, por exemplo, já importou mais de US$ 720 mil em café brasileiro desde o início da nova tarifa, mas seu destino é incerto. Armazenado em um depósito alfandegado na Flórida, o café poderá ser vendido nos EUA caso a empresa decida arcar com a tarifa. “É um dilema: esperar e torcer por um acordo comercial ou tomar um banho de sangue na logística para redirecionar o café,” resume Thomas.
Desafios e Alternativas
As torrefadoras nos Estados Unidos estão enfrentando desafios ainda maiores, com algumas cancelando pedidos de café do Brasil. Esses cancelamentos resultaram em perdas significativas de US$ 20 a US$ 25 por saca de 60 quilos, elevando os custos operacionais no setor. O preço do café tem se tornado uma preocupação crescente, com torrefadores relatando que, apesar de terem estoques, eles estão se esgotando rapidamente.
Michael Kapos, da Downeast Coffee Roasters, mencionou que a empresa está testando cafés de outros países como substitutos, mas os custos são impactantes. “Os preços dos cafés da Colômbia, México e América Central subiram até 10% desde o anúncio da tarifa, enquanto o café brasileiro teve uma redução em torno de 5%,” afirmou Kapos, refletindo sobre o impacto da tarifa não apenas nos preços, mas também na variedade e qualidade do que pode ser oferecido ao consumidor.
Perspectivas Futuras
Enquanto a relação entre Brasil e Estados Unidos continua a ser monitorada, a pressão sobre os estoques de café deve atingir seu pico em dezembro deste ano. Importadores e torrefadores esperam que a conversa entre Trump e Lula resulte em um novo acordo que poderia aliviar as tensões. Num momento em que a cultura do café está tão enraizada na vida americana, o que está em jogo é não apenas a saúde financeira das empresas envolvidas, mas também a experiência de milhões de consumidores que desfrutam diariamente dessa bebida tão popular.
À medida que os envolvidos tentam encontrar soluções em um cenário repleto de incertezas, o que resta saber é se eles conseguirão redescobrir um caminho mais colaborativo e produtivo, que beneficie ambas as partes. Tal acordo poderia não apenas derrubar a tarifa, mas também fortalecer as relações comerciais entre dois gigantes da economia mundial.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: café, Brasil, tarifa 50%, importadores de café, café americano, relação Brasil-EUA, Steven Walter Thomas, Lucatelli Coffee, cadeia de suprimentos, preços do café,
