Setor Pesqueiro Brasileiro em Alerta: Abertura de Mercado Pode Estar Próxima
O setor pesqueiro brasileiro atravessa um momento crucial, à medida que auditores da União Europeia (UE) iniciam visitas para avaliar as condições de produção nacional. Esta auditoria, programada entre os dias 8 e 19 de junho, representa a esperança de restaurar um acesso ao mercado da UE para produtos como lagosta, atum, e tilápia que se encontram barrados desde 2017.
O impacto da auditoria é significativo, uma vez que atualmente não há estabelecimentos brasileiros autorizados a exportar pescados para o bloco. Com um aval positivo, as exportações poderão ser reestabelecidas, revitalizando um setor que, segundo a Comissão Europeia, enfrenta desafios relacionados à pesca ilegal e ao aumento dos efeitos das mudanças climáticas.
Um Olhar sobre o Passado
O relacionamento entre o Brasil e a União Europeia quanto à pesca é histórico e complicado. Desde 2017, o bloco impôs barreiras severas às importações, sem considerar as práticas que podem prejudicar a sustentabilidade da pesca nacional. Em resposta às preocupações da UE em relação ao processo pesqueiro brasileiro, o governo brasileiro decidiu suspender os envios, culminando em um banimento total confirmado pela UE em 2018.
Neste contexto, a importância da lagosta, tilápia e atum é crítica. Antigamente, a UE respondia por 14% das exportações de pescados do Brasil, com uma significativa fatia voltada para o mercado europeu. No entanto, a suspensão levou a uma concentração das exportações em mercados como os Estados Unidos e uma crescente concorrência de países asiáticos.
Desafios Persistentes e a Necessidade de Sustentabilidade
Um dos principais desafios que o setor pesqueiro brasileiro enfrenta é a pesca ilegal, que não só prejudica os estoques sustentáveis de lagosta, mas também compromete os esforços de conservação. Em 2025, uma grandiosa operação do IBAMA resultou na apreensão de armadilhas ilegais que ameaçavam a reprodução do crustáceo. Segundo a professora Caroline Vieira Feitosa, o mercado de lagosta é complexo, com os lucros frequentemente absorvidos por empresas, enquanto os pescadores locais recebem apenas uma fração do valor de suas capturas.
A situação do atum é igualmente preocupante. O professor Humberto Hazin ressalta que a UE tem um controle significativo sobre a pesca deste peixe, o que torna a posição do Brasil mais delicada. A distância até a Europa e a necessidade de entregar produtos em condições ideais de frescor ainda representam desafios substanciais.
O Impacto das Mudanças Climáticas
As mudanças climáticas, particularmente o fenômeno El Niño, têm influenciado as temperaturas das águas e as rotas migratórias dos peixes, resultando em um período de pesca menos abundante. Em um cenário onde o Super El Niño é previsto para 2026, a possibilidade de um impacto ainda maior nas condições do ecossistema marinho é alarmante.
A professora Feitosa aponta que, devido ao aumento da temperatura, as populações de lagostas estão em declínio, com os pescadores cada vez mais se aventurando para o alto-mar em busca de capturas viáveis. Essa busca incessante pode acentuar ainda mais a pressão sobre os estoques locais.
A Esperança de Novas Oportunidades de Mercado
Embora os desafios sejam evidentes, houve um clamor dentro do setor pesqueiro para que as avaliações focassem nas irregularidades da pesca, em vez de aplicar um banimento abrangente que afeta a piscicultura e a criação de tilápias e camarões. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros, expressou otimismo em relação às missões da UE, afirmando que estão prontos para apresentar suas melhores práticas no tratamento dos produtos pesqueiros.
O potencial de criação de novos mercados, mesmo que restrito a produtos como a tilápia, cuja produção crescente coloca o Brasil como o quarto maior produtor mundial, oferece uma bênção necessária para revitalizar o setor. Porém, garantias de rastreabilidade e práticas sustentáveis também serão cruciais para assegurar uma posição no mercado global.
A expectativa sobre a auditoria da UE aumenta a urgência para que o Brasil implemente reformas que possibilitem um cenário mais positivo para o futuro do setor pesqueiro. O momento é decisivo, e a capacidade do Brasil de se adaptar às exigências internacionais será determinante para o seu sucesso nas próximas décadas.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: setor pesqueiro, exportações Brasil, União Europeia, pesca, lagosta, atum, tilápia, pesca ilegal, mudanças climáticas, sustentabilidade, piscicultura,
