Setor de Carnes Pode Brilhar na Crise Comercial, Acredita Marcos Jank
O coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, trouxe à tona perspectivas preocupantes para o agronegócio brasileiro. Em um cenário de incertezas, Jank destaca que o setor poderá se beneficiar menos em comparação com o apogeu de 2017. Contudo, ele enfatiza que a área de proteína animal é a exceção que pode aproveitar melhor o atual momento de crise comercial.
O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, e a recente crise comercial gerou um clima de incerteza entre os produtores. Se em 2017 o setor apresentou crescimento robusto, com amplas oportunidades de exportação e demanda interna aquecida, atualmente, a realidade se desenha um pouco diferente. O especialista aponta que um conjunto de fatores, incluindo tensões geopolíticas e uma desaceleração econômica global, impactam as projeções.
Apesar disso, o mercado de carnes, em especial, mostra-se promissor. Jank salienta que as oportunidades na cadeia produtiva de carnes se destacam devido à crescente demanda por proteína animal, tanto no mercado interno quanto externo. O investimento em inovação e eficiência na produção pode ser o diferencial para que o Brasil mantenha sua posição como um dos maiores exportadores de carne bovina, suína e de frango, mesmo perante adversidades.
Segundo Jank, o perfil do consumidor está mudando. A nova geração está cada vez mais consciente em relação à qualidade dos alimentos que consome, buscando produtos que atendam a critérios de sustentabilidade e bem-estar animal. Essa mudança de comportamento pode impulsionar a demanda por carnes de qualidade, abrindo novas janelas de oportunidade para os produtores que estão dispostos a se adaptar.
A exportação de carnes é um importante motor da economia brasileira, e Jank acredita que a diversificação dos mercados pode ajudar a mitigar os efeitos da crise comercial. Atualmente, o Brasil possui acordos com diversos países, e a abertura de novos mercados pode significar um crescimento expressivo em um período desafiador.
No entanto, os desafios não param por aí. A competitividade do setor agropecuário é uma questão que se coloca constantemente. Jank menciona que os custos de produção e as questões ambientais são fatores que exigem atenção e gestão eficaz. O encarecimento de insumos e a necessidade de práticas agrícolas sustentáveis impõem um desafio adicional para o setor.
Além disso, a crescente pressão por normas ambientais mais rigorosas demanda uma resposta proativa dos produtores. “É imperativo que o agronegócio brasileiro se comprometa com a sustentabilidade, não apenas como uma questão ética, mas como uma necessidade comercial estratégica”, observa Jank. A adoção de práticas que respeitem o meio ambiente pode não só ajudar a evitar penalizações futuras, mas também abrir portas para mercados que priorizam produtos sustentáveis.
Impulsionar a produção de proteínas animais requer criatividade e inovação. Jank sugere que políticas públicas focadas em tecnologia e pesquisa podem ajudar a elevar a competitividade do setor. Investir em tecnologia de ponta, como agricultura de precisão e biotecnologia, pode ser fundamental para garantir a eficiência da produção e a sustentabilidade ao mesmo tempo.
Por fim, embora o panorama atual não indique um cenário tão positivo quanto em 2017, há oportunidades significativas no setor de proteínas animais. Respaldado pelas inovações e pela necessidade crescente de atender a um consumo consciente, o setor de carnes tem um potencial inexplorado que pode, se bem trabalhado, não apenas resistir às tempestades comerciais, mas também prosperar. Jank deixa uma mensagem de esperança e chama o agronegócio a se reinventar e a buscar alternativas que assegurem um futuro sustentável e rentável.
Fonte: Infomoney Agronegócio
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