Rastreamento de Gado na Amazônia: Nova Política do Pará até 2030
O governo do Pará anunciou uma extensão do prazo para a implementação do rastreamento de bois e búfalos no estado até o ano de 2030. A medida, que inicialmente tinha como data limite o 31 de dezembro de 2023, é parte de um programa mais amplo que visa garantir uma carne livre de desmatamento e promover práticas de pecuária sustentável na região da Amazônia.
Desde o ano passado, a política exige a identificação de todos os animais movimentados dentro do estado, incluindo abate, criação, recria, engorda, leilões e exportação. O sistema de rastreamento envolve a colocação de chips e brincos nas orelhas dos animais, atribuindo a eles uma numeração individual, semelhante ao CPF, para monitorar sua origem e passagem por fazendas com irregularidades ambientais ou trabalho análogo à escravidão.
O governador Helder Barbalho (MDB) assinou o decreto de extensão do prazo durante um Encontro Ruralista, organizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa). A medida foi adotada em resposta às necessidades do setor produtivo e menos de um mês após a COP 30, onde importantes discussões sobre a crise climática foram abordadas.
A Importância do Rastreamento na Pecuária Brasileira
O Brasil, como maior exportador de carne bovina do mundo, enfrenta crescente pressão global para demonstrar que sua produção, especialmente na amazônica, não está associada a áreas de desmatamento ilegal. A Amazônia abriga o maior rebanho bovino do país, o que faz dela um foco critico em termos de sustentabilidade e responsabilidade ambiental.
Desde setembro de 2024, o Pará se destacou ao lançar a primeira política pública de rastreamento do gado no Brasil. O primeiro boi a receber um “CPF” foi batizado de Pioneiro e teve seu brinco colocado na cidade de Xinguara pelo próprio governador. Este marco simboliza um passo significativo em direção a uma pecuária mais responsável e sustentável.
Experiências no Campo
No ano passado, reportagens do g1 mostraram a experiência do pecuarista Roberto Paulinelli na Fazenda responsável por um projeto-piloto de rastreamento, que começou em 2022 em Rio Maria, no Pará. Sua experiência destaca a viabilidade e os benefícios de uma pecuária moderna, que prioriza a transparência e a responsabilidade ambiental.
Desafios e Oportunidades
Embora a medida tenha sido amplamente recebida com otimismo, a implementação eficaz do sistema de rastreamento ainda enfrenta desafios. As fazendas devem se ajustar às novas regras e tecnologias, o que pode exigir investimentos significativos. No entanto, a longo prazo, essas mudanças podem levar a uma valorização da carne brasileira no mercado internacional, sinalizando um avanço no compromisso do país com a sustentabilidade.
Além disso, com uma rastreabilidade mais robusta, o Brasil poderá melhorar sua imagem no exterior, assegurando aos consumidores que sua carne não resulta de práticas ilegais ou antiéticas. O rastreamento de gado, portanto, é muito mais que uma obrigação legal; é uma oportunidade de reposicionar o Brasil como um líder em produção de carne sustentável no cenário global.
Conclusão
O esforço contínuo do governo do Pará em implementar essa política de rastreamento visa garantir não apenas a sustentabilidade ambiental, mas também a credibilidade do setor agropecuário. À medida que nos aproximamos do prazo final de 2030, a expectativa é que o estado sirva como um modelo para outras regiões e países, demonstrando que é possível conciliar a produção agrícola com a proteção do meio ambiente.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: rastreabilidade, gado, Amazônia, Pará, carne sustentável, governo do Pará, desmatamento, meio ambiente,
