Quatro Pessoas Presas por Venda de Carnes Estragadas no Rio de Janeiro
No terceiro trimestre de 2024, uma série de investigações levou à prisão de quatro indivíduos relacionados à venda de carne estragada no Rio de Janeiro. A operação, batizada de "Carne Fraca", revelou que a empresa Tem Di Tudo Salvados, sediada em Três Rios (RJ), adquiriu e barateou 800 toneladas de carnes deterioradas. Este material, que havia sido submerso nas enchentes devastadoras que atingiram o Rio Grande do Sul, foi comercializado na tentativa de enganar açougues e mercados em todo o Brasil.
As enchentes de 2024 resultaram em mais de 200 mortes e muitos desaparecidos, e, em meio a esse cenário trágico, surgem relatos de práticas fraudulentas. A empresa envolvida alegou que o produto seria transformado em ração animal, mas, segundo as autoridades, a verdadeira intenção era revender a carne imprópria ao consumidor final. As técnicas usadas para disfarçar a deterioração dos produtos ainda não foram reveladas.
Como Identificar Carne Estragada
Identificar carne estragada pode ser uma tarefa difícil para os consumidores, mas existem algumas dicas que podem ajudar. A forma mais simples de discernir a qualidade da carne é observar sua coloração. Caso a carne apresente um tom muito escuro ou esverdeado, isso é um forte indicativo de que ela não é adequada para consumo. Além disso, um cheiro forte e desagradável é um sinal claro de putrefação.
Para carnes compradas congeladas, o ideal é verificar o produto assim que chegar em casa. Se a deterioração for constatada, o consumidor deve retornar ao estabelecimento onde a carne foi adquirida. O diretor de Política Profissional do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), Henrique Pedro Dias, afirma que os embutidos, muitas vezes, mascaram o estado avançado de deterioração da carne, sendo ainda mais complicado identificá-la.
“O consumidor precisa desconfiar de preços muito baixos e de produtos que não atendem às normas de higiene e sanitárias”, afirma Dias. O selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) nos rótulos dos produtos de origem animal é uma garantia de que foram feitas inspeções rigorosas antes da comercialização.
Como Conservar Carne em Casa
Manter a carne em boas condições em casa exige cuidados especiais. As recomendações gerais são seguir as instruções do rótulo do produto. No caso de carne comprada em açougues sem rótulo, a conservação correta é congelar. A nutricionista Neiva Souza, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), categoriza a conservação da carne em quatro faixas de temperatura:
- 0°C a -5°C: degradação em até 10 dias
- -6°C a -10°C: até 20 dias
- -11°C a -18°C: até 30 dias
- Abaixo de -18°C: até 90 dias
Uma prática recomendada também é o resfriamento imediato da carne cozida, reduzindo a temperatura de 60°C para 10°C em até duas horas. Esse resfriamento pode ser feito na geladeira, seguido de congelamento.
Regulamentação e Segurança Alimentar
As regras que regem a comercialização e o manejo de carnes são estritas. O Ministério da Agricultura e Pecuária estabelece que as carnes devem ser entregues pelos frigoríficos com temperaturas controladas, sendo que para as carnes com ossos, a faixa ideal é entre 2°C e 7°C. Um retorno à câmara fria de produtos que já estiveram fora dessa faixa é estritamente proibido.
Documentos legais como a portaria n° 304 de 1996 e o decreto n° 9.013 de 2017 descrevem as condições que as carcaças devem seguir desde o abate até a venda, garantindo que o consumidor final receba um produto de qualidade. Além disso, o ambiente onde as carnes são manipuladas deve ser desinfectado em casos de contaminação para prevenir a propagação de doenças.
A vigilância constante e a confirmação de normas rigorosas de higiene e controle são essenciais para assegurar a qualidade e a segurança dos alimentos que chegam à mesa do consumidor. A informação correta e as práticas adequadas de conservação são ferramentas valiosas para evitar fraudes e preservar a saúde pública.
Fonte: G1 Agro
