Valorização do Milho e Seus Efeitos no Setor Suinícola
Recentemente, o Brasil tem enfrentado desafios significativos devido à valorização do milho, um dos insumos primordiais na alimentação de suínos. Em março de 2025, o preço médio do milho comercializado em São Paulo atingiu a impressionante marca de R$ 90 por saca de 60 quilos, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), vinculado à Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, SP.
Essa elevação nos preços é atribuída, principalmente, à baixa disponibilidade do estoque de milho e à demanda aquecida. Os dados indicam um aumento de cerca de 24% nas cotações do milho na região de Campinas, cenário que não via essa valorização desde abril de 2022.
Impactos Diretos na Rentabilidade do Setor Suinícola
Para o setor suinícola, a alta nos preços do milho representa uma preocupação constante. O custo elevado do insumo impacta diretamente a rentabilidade dos suinocultores, que já enfrentavam desafios significativos para manter a atividade lucrativa. Enquanto isso, as cotações do suíno vivo apresentam uma trajetória de queda. No mercado paulista, o preço à vista caiu para R$ 8,46 por quilo, refletindo uma variação negativa de 7,64%.
Essa queda pode ser atribuída à oferta superior de animais em relação à demanda dos frigoríficos, criando assim um cenário de descompasso no mercado.
Perda de Competitividade no Agronegócio
A combinação da alta do milho e a queda no preço do suíno resultou na perda de competitividade da carne suína em comparação a outros tipos de proteína, como a carne bovina e a de frango. Segundo o levantamento do Cepea, os preços da carne suína subiram em relação à carne de frango no atacado da Grande São Paulo, mas a competitividade geral caiu. Em fevereiro, a carcaça suína registrou uma elevação de 10,8% em relação ao mês anterior, alcançando o preço de R$ 13,20 por quilo.
O cenário se complica ainda mais quando se considera a pressão externa em função da oferta recorde de carne bovina, que começou a ser disponibilizada no mercado nacional no início do ano. As estimativas do Cepea indicam um aumento significativo na oferta de carne bovina, superando 10% em relação ao mesmo período do ano passado.
O Poder de Compra em Queda
Além dos desafios nas cotações, o poder de compra dos produtores também sofreu um impacto negativo, com uma diminuição observada em fevereiro em comparação ao ano anterior. O preço do milho nas transações em Campinas alcançou uma média de R$ 80,76 por saca, representando uma alta de 8,9% em relação ao mês anterior. Essa realidade é preocupante e exigirá estratégias vigorosas para o setor se manter competitivo.
Conclusão: Rumo a um Novo Cenário
Embora o mercado esteja passando por momentos desafiadores, o avanço na produção agrícola e a resiliência do setor também devem ser considerados. O Cepea destaca que, apesar das dificuldades, a carne bovina continua forte no consumo brasileiro, impulsionada pela baixa taxa de desemprego no país.
O cenário para os próximos meses permanece incerto, mas a adaptação e inovação serão essenciais para enfrentar os novos desafios que surgem do lado da oferta e demanda. À medida que os produtores se ajustam aos novos preços e condições de mercado, será crucial monitorar as tendências e ajustar as estratégias de produção e comercialização.
O setor agropecuário brasileiro, portanto, deve continuar a desenvolver sua capacidade de se adaptar e inovar, buscando alternativas para minimizar os impactos da alta nos preços dos insumos e restabelecer a rentabilidade das atividades suinícolas.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: milho, preço do milho, suínos, carne suína, Cepea, mercado agropecuário, rentabilidade, custos, oferta, demanda,
