Preços do Café em Alta: Expectativas para 2026 e Desafios Climáticos

Publicado em: 17/04 08:00

Preços do Café em Alta: Expectativas para 2026 e Desafios Climáticos

Preços do Café em Alta: Expectativas para 2026 e Desafios Climáticos

Nos últimos 12 meses, o preço do café moído registrou uma alta de 0,54% ao consumidor, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Embora a inflação tenha desacelerado, os preços do café permanecem elevados nas prateleiras, gerando preocupações entre os consumidores e economistas. O Brasil, famoso pela sua produção de café, deve colher uma safra maior neste ano, o que pode ajudar a aliviar a inflação ao longo de 2026, mas isso não significa que os preços voltarão aos níveis de seis anos atrás.

Em 2020, o preço médio do quilo do café tradicional torrado e moído era de R$ 16,45. Entretanto, fatores climáticos adversos que afetaram as lavouras entre 2021 e 2024 — como secas, calor intenso e geadas — impactaram dramaticamente a produção, elevando assim os preços. Atualmente, o quilo de café é vendido por uma média de R$ 63,69 no varejo.

Expectativas de Safra Majoritária e Seus Efeitos

No campo, o preço pago ao produtor pela saca de café começou a cair no início do ano passado, com a expectativa de um aumento significativo da produção tanto no Brasil quanto no mundo. No entanto, essa expectativa foi abalada com a atuação comercial do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que impôs tarifas que elevaram os preços novamente até sua retirada em novembro.

De acordo com Gil Barabach, analista da consultoria Safras & Mercado, a diminuição contínua dos preços nas prateleiras depende da recuperação da produção e dos estoques. “Promessas de uma safra recorde para este ano existem, mas é preciso confirmar o tamanho efetivo da produção”, observa. As colheitas de café no Brasil acontecem entre maio e julho, com as previsões indicando uma possibilidade de colheita de 75,6 milhões de sacas de 60 quilos, segundo Fernando Maximiliano da StoneX Brasil.

Comparativo com Previsões do Governo

É importante notar que essa estimativa está acima da previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que espera uma colheita de 66,2 milhões de sacas, uma alta de 17% em relação à safra anterior. Este aumento nas estimativas pode refletir a bienalidade positiva, o avanço das tecnologias agrícolas e condições climáticas mais favoráveis.

A Persistência dos Altos Preços e o Poder de Compra

Mesmo com o recuo da inflação do café, especialistas como Barabach afirmam que os preços provavelmente não retornarão aos patamares de anos anteriores. “A baixada a níveis mais baixos é um processo gradual, que dependerá da evolução da produção nos anos subsequentes. A recuperação dos estoques é necessária não apenas no Brasil, mas globalmente,” completa.

Adicionalmente, a inflação acumulada entre 2020 e 2026 resulta em uma diminuição do poder de compra dos consumidores. O que antes era acessível pode já não ser viável financeiramente. Assim, mesmo que o mercado se estabilize, a expectativa é que os preços não alcancem os mesmos níveis de seis anos atrás, devido ao aumento nos custos de produção e um cenário econômico distinto.

Desafios Climáticos para o Futuro

O economista André Braz do FGV Ibre alerta que, embora as previsões de boa produção para 2026 sejam promissoras, problemas climáticos podem impactar as colheitas nos anos seguintes. “A questão do café é que ele funciona em um ciclo bienal, e estamos enfrentando fenômenos climáticos cada vez mais frequentes,” afirma.

Hoje, há uma probabilidade de 80% de um forte El Niño se desenvolver no segundo semestre, segundo um relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Este fenômeno é conhecido por alterar o volume e a distribuição das chuvas, afetando diretamente a produção do café. “Um clima equilibrado é essencial para o desenvolvimento da lavoura, e a expectativa de clima adverso pode não proporcionar grandes alívios para o consumidor,” diz Braz.

Conclusão

Portanto, enquanto os consumidores esperam alentações nos preços do café em 2026, a realidade é que as incertezas climáticas e a inflação continuam a moldar o cenário do mercado de café. O futuro da produção cafeeira brasileira e o impacto no bolso dos consumidores permanecem em pauta.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: Preço do café, inflação do café, safra de café Brasil, clima e produção de café, mercado cafeeiro, El Niño, produção agrícola, custo do café,

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