Ministério Público do Trabalho pede banimento do glifosato no Brasil: implicações para a saúde e o meio ambiente

Publicado em: 01/06 07:00

Ministério Público do Trabalho pede banimento do glifosato no Brasil: implicações para a saúde e o meio ambiente

Ministério Público do Trabalho pede banimento do glifosato no Brasil

Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou uma ação civil pública contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o governo federal, solicitando o banimento do glifosato, um dos agrotóxicos mais utilizados no mundo, especialmente em cultivos de soja transgênica. Esta demanda, apresentada na última sexta-feira (22) na Justiça do Trabalho do Distrito Federal, levanta questões sérias sobre os riscos associados ao uso deste produto químico.

Riscos à saúde e ao meio ambiente

No documento submetido à Justiça, os procuradores do MPT afirmam que o glifosato representa um risco grave para a saúde dos trabalhadores, em especial para aqueles que atuam em áreas rurais e comunidades indígenas, além de causar danos significativos ao meio ambiente, como a contaminação das reservas de água.

A Bayer, que fabrica o glifosato sob a marca Roundup, enfrenta uma onda de processos judiciais nos Estados Unidos, relacionados ao desenvolvimento de câncer pelos ex-trabalhadores expostos ao agrotóxico, evidenciando um cenário preocupante em torno da segurança do produto. Dados apresentados na ação civil pública indicam que o glifosato está associado ao desenvolvimento de 28 tipos de doenças, incluindo condições graves como câncer, Alzheimer, infertilidade e transtornos neurológicos.

Protocolos de avaliação da Anvisa

A investigação do MPT critica a Anvisa por sua abordagem em relação ao registro e reavaliação de agrotóxicos, alegando que a agência age rapidamente para aprovar novos produtos, mas custa a tomar decisões sobre substâncias já em uso, mesmo diante de evidências de risco. A Anvisa, em resposta, informou que não foi oficialmente comunicada sobre a ação, mas não ofereceu mais informações sobre o conteúdo.

As alegações do MPT estão fundamentadas em estudos acadêmicos, como os da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que ressaltam os impactos nocivos do glifosato no organismo, destacando que o desenvolvimento de câncer não é resultado de exposições isoladas, mas sim da acumulação crônica da substância ao longo do tempo.

A posição da Bayer e o futuro do glifosato

Enquanto isso, a Bayer mantém sua posição, afirmando que órgãos regulatórios ao redor do mundo, incluindo o Brasil, têm concluído que o glifosato pode ser utilizado com segurança e não é considerado carcinogênico. A empresa expressou confiança de que os dados científicos em sua defesa prevalecerão ao longo do processo judicial.

Iniciativas em andamento e a busca por alternativas

O procurador Leomar Daroncho, responsável pela ação, ressalta que o esforço do MPT é parte de uma iniciativa mais ampla para avaliar os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente. O foco não é atacar os produtores, mas sim a busca por alternativas menos tóxicas que possam garantir a segurança dos trabalhadores e a saúde pública, sem comprometer a produção agrícola.

A liberação de agrotóxicos e defensivos biológicos no Brasil atingiu um novo recorde em 2025, acendendo um alerta sobre a necessidade de regulamentação mais rígida e ações efetivas para proteger a saúde dos trabalhadores rurais que lidam diariamente com essas substâncias. Vários estudos têm evidenciado que comunidades, especialmente no Maranhão, enfrentam sérios problemas devido ao uso indiscriminado de agrotóxicos.

O que está por trás da ação do MPT?

A ação civil pública do MPT se baseia em pareceres de pesquisadores que reuniram dados sobre os efeitos adversos do glifosato para a saúde humana. O impacto na microbiota intestinal, por exemplo, é um dos pontos mencionados, com a substância interferindo negativamente nas bactérias benéficas do organismo.

Estudos anteriores, que concluíam que o glifosato era seguro, foram questionados e, em alguns casos, retratados, como um artigo publicado em 2000 que, segundo críticos, não poderia ser considerado confiável dado seu histórico de participação de funcionários da Monsanto. Essa controversa reavaliação reflete a insegurança e o ceticismo crescentes em relação ao uso de substâncias químicas na agricultura.

Considerações finais

A crescente pressão por uma agricultura mais sustentável e saudável traz à tona debates cruciais sobre o uso de agrotóxicos como o glifosato no Brasil. À medida que a sociedade exige maior responsabilidade ambiental e proteção à saúde dos trabalhadores, o futuro do glifosato e de outros produtos químicos perigosos continua em xeque, aguardando decisões que podem moldar a agricultura moderna.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: glifosato, banimento do glifosato, saúde pública, agrotóxicos, MPT, Bayer, soja transgênica, riscos à saúde, meio ambiente, alternativas menos tóxicas,

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