Mariângela Hungria: A Ciência a Favor da Agricultura Sustentável
A pesquisa agropecuária brasileira está em festa com a inclusão da agrônoma e microbiologista Mariângela Hungria na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, divulgada pela revista Time nesta quarta-feira (15). Seu trabalho na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem sido fundamental para promover a sustentabilidade na agricultura, especialmente no cultivo da soja.
Com uma carreira que se estende por mais de três décadas, Mariângela tem se dedicado a desenvolver microrganismos do solo que permitem às plantas absorver nitrogênio do ar de forma natural, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos. De acordo com a Time, graças às inovações de Mariângela, atualmente, cerca de 85% da soja cultivada no Brasil utiliza esses microrganismos, ao invés de adubos sintéticos.
Este avanço não só revoluciona a forma como os agricultores lidam com suas lavouras, mas também gera uma economia significativa. Mariângela estima que suas descobertas ajudaram os agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 124,8 bilhões) por ano e evitar a emissão de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, combatendo assim as mudanças climáticas.
Em entrevista à Time, a pesquisadora afirmou: Nunca vou desistir de trabalhar por um mundo melhor.
Essa determinação reflete a essência de seu trabalho, que é voltado para um futuro mais sustentável e produtivo para a agricultura.
Prêmios e Reconhecimento Internacional
Além de estar na lista da Time, Mariângela Hungria é também vencedora do prestigiado World Food Prize, considerado o Nobel da Agricultura. Este reconhecimento internacional é um testemunho de suas contribuições significativas para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável do setor agrícola.
Nascida e criada em um ambiente rural, Mariângela compreende os desafios enfrentados pelos agricultores e se dedica a encontrar soluções práticas. Um dos seus projetos mais conhecidos é a criação de um produto chamado inoculante, que é misturado às sementes de soja no momento do plantio. Este produto é um grande avanço, pois não apenas diminui o impacto ambiental associado ao uso de fertilizantes químicos, mas também é mais acessível financeiramente para o produtor rural.
Impacto na Produção de Soja
Adiante, a influência de Mariângela se reflete na realidade atual do cultivo da soja no Brasil. A pesquisadora enfatizou em entrevista ao Jornal Nacional: Não tenho dúvidas de afirmar que, se não fosse a fixação biológica de nitrogênio na soja, hoje não seríamos os maiores produtores e exportadores de soja do mundo, porque seria inviável economicamente.
Essa afirmação destaca a relevância de sua pesquisa não apenas do ponto de vista ambiental, mas também econômico.
Os benefícios da inoculação vão além da economia de custos. A prática contribui para a saúde do solo e a biodiversidade, promovendo um agroecossistema mais equilibrado e saudável. Isso se torna ainda mais crucial em tempos de crescente preocupação com a degradação ambiental e o uso excessivo de produtos químicos na agricultura.
Um Futuro Promissor
Mariângela Hungria representa uma nova geração de cientistas que buscam unir ciência, sustentabilidade e práticas agrícolas eficientes. Seu trabalho é uma inspiração para muitos e serve como um lembrete poderoso de que a inovação no campo pode levar a um modelo de agricultura que respeita e preserva o meio ambiente.
O reconhecimento de Mariângela pela Time e por instituições internacionais reforça a importância de apoiar e investir em pesquisa e desenvolvimento no setor agropecuário. À medida que enfrentamos os desafios globais da alimentação e sustentabilidade, líderes como Mariângela nos mostram que é possível cultivar um futuro mais verde e resiliente.
Portanto, celebrar o trabalho de Mariângela Hungria é também um chamado à ação para todos os envolvidos no setor agrícola. É hora de considerar práticas mais sustentáveis, que não apenas alimentem a população, mas também cuidem do planeta.
Fonte: G1 Agro
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