No cenário atual das mudanças climáticas, o agronegócio brasileiro, especialmente a pecuária, está em busca de alternativas para minimizar seu impacto ambiental. A produção de carne, que compõe um dos pratos mais tradicionais da culinária brasileira, enfrenta um desafio tangível. O Jornal Nacional trouxe em sua série especial, apresentada por Tiago Eltz e Daniel Torres, uma análise dos novos caminhos que a pecuária brasileira está trilhando para se tornar mais sustentável e reduzir suas emissões de gases do efeito estufa.
O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, com a pecuária sendo responsável por cerca de 20% desse total. De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), a situação se torna alarmante, mas também oferece uma grande oportunidade para que o país se torne um líder em práticas sustentáveis de produção de carne. O pesquisador da Embrapa, Rodrigo Gomes, ressalta: "Não é exatamente um problema, mas é uma grande oportunidade para o Brasil. Porque ele está trabalhando em algo que vai posicionar o Brasil na fronteira, à frente do resto dos países do mundo em questão de produção sustentável de carne bovina".
Uma das inovações destacadas consiste na captura dos gases emitidos pelos bovinos, especialmente o metano, que é liberado através dos arroto. Pesquisadores estão desenvolvendo equipamentos que conseguem registrar a quantidade de gás emitido por cada animal, possibilitando o desenvolvimento de suplementações dietéticas que podem reduzir a produção de metano em até 40%. Ao mesmo tempo, os cientistas trabalham na seleção genética de bovinos que naturalmente produzem menos metano, visando à criação de uma linha de gado mais sustentável para as futuras gerações.
No entanto, a mudança mais significativa pode estar na maneira como as pastagens são geridas. Um estudo apresentado revela que 60% das pastagens no Brasil encontram-se degradadas. O pesquisador Manuel Macedo, também da Embrapa, explica que práticas simples, como adubar o solo e limitar a quantidade de gado em áreas específicas, podem revitalizar pastagens e, assim, melhorar a produtividade. Ele afirma: "Se você fizer isso, nós temos pasto aqui de 30 anos sem fazer nada".
Além disso, um sistema inovador propõe a rotação de lavouras com pastagens, aumentando a fertilidade do solo e o sequestro de carbono. O resultado positivo desse modelo foi comprovado ao longo de 32 anos em experimentos em Campo Grande, onde a produção de carbono no solo aumentou em comparação à vegetação nativa do Cerrado. Essa prática não apenas promove uma melhor sustentabilidade, mas também evita a necessidade de desmatamento adicional.
Uma das histórias de sucesso é a fazenda da pecuarista Carla Namour, que já exportava para 117 países, e agora se preparando para fornecer carne à COP30 como a primeira carne brasileira certificada de baixo carbono. Carla explica: "Dá um orgulho. É o reconhecimento do trabalho. A COP é pensando nas próximas gerações, na sustentabilidade".
A certificação que essa carne receberá envolve rigorosos critérios que abrangem aspectos ambientais, sociais e econômicos. A gestão responsável das águas, a nutrição adequada do gado e o cuidado com o bem-estar animal são apenas alguns dos pontos abordados. O foco é garantir que os animais tenham acesso a água limpa e ração balanceada, minimizando assim as emissões ao longo do ciclo de vida do gado.
À medida que novas alternativas emergem no campo da pecuária, práticas inovadoras como sistemas silvipastoris são estudadas para permitir a criação de gado em áreas sombreadas. Essa abordagem promete potencialmente levar a um sistema de carne neutra em carbono, ao se considerar a madeira e as raízes das árvores. Embora essa técnica possa reduzir a produtividade do pasto, ela também oferece uma nova fonte de receita através do mercado madeireiro.
O compromisso em avançar as práticas de produção de carne não é apenas uma necessidade ambiental, mas uma responsabilidade social. Segundo Rodrigo Gomes, "a função social da pecuária é muito grande no Brasil, e nossa preocupação deve incluir a vida dos pequenos produtores". Assim, o desafio está em encontrar um equilíbrio entre produção e preservação, garantindo um futuro mais sustentável para a pecuária brasileira.
Essa série de inovações e a consciência crescente sobre a importância da sustentabilidade na pecuária destacam o Brasil como um potencial protagonista na luta contra as mudanças climáticas. É fundamental que esse movimento continue, permitindo que novas gerações possam desfrutar de um ambiente saudável e de uma produção de carne que respeite não apenas a natureza, mas também a sociedade como um todo.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: sustentabilidade, produção de carne, pecuária brasileira, emissões de gases do efeito estufa, inovações agropecuárias, certificação de baixo carbono, pastagens, desenvolvimento sustentável,
