União Europeia Retira Brasil da Lista de Exportadores de Carne
No último dia 16, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, alertou para os riscos que a indústria de carnes brasileira enfrenta após a União Europeia vetar importações de carne e produtos de origem animal do Brasil. A decisão se deve ao fato de o país não conseguir atender às exigências do bloco em relação ao uso de antimicrobianos.
Perosa destacou que a produtividade do setor pode ser prejudicada, uma vez que a adaptação às novas exigências requer um período estimado em 30 meses, ou seja, dois anos e meio. Essa situação gera preocupações em vários elos da cadeia produtiva, desde o agronegócio até a indústria de alimentos.
Exigências Europeias e Possíveis Consequências
A União Europeia havia anteriormente autorizado o Brasil a exportar carnes bovinas, de frango, de cavalo, além de tripas, pescado e mel. A decisão de retirada do Brasil da lista de países aptos foi oficializada em junho e será efetiva a partir de 3 de setembro de 2023. A Comissão Europeia justificou a exclusão por meio da falta de documentação que comprove que a produção brasileira atende às exigências do bloco, que incluem restrições rigorosas quanto ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Desafios Adicionais no Mercado Internacional
Além do embargo europeu, as indústrias de carnes brasileiras lidam com novas salvaguardas chinesas que entrarão em vigor em janeiro de 2026. O governo da China implementará cotas de importação e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira, com uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas. As exportações que excederem esse limite ficarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%. Perosa afirmou que esses movimentos se traduzem em desafios que podem afetar fortemente as indústrias locais.
Reflexos na Indústria e no Mercado Interno
Perosa também revelou que os efeitos do veto da União Europeia e as salvaguardas da China começaram a ser sentidos precocemente, com relatos de férias coletivas em frigoríficos e dificuldades de escoamento da produção. O executivo enfatizou a situação crítica da indústria, que, nos últimos anos, viu seu volume de produção crescer significativamente, mas agora enfrenta um cenário de baixa demanda externa.
No entanto, enfatizou que o principal mercado do Brasil continua sendo o interno. Embora a demanda internacional ajude a estabilizar os preços, a forte concorrência e as novas restrições impactam as margens de lucro e colocam as indústrias em um cenário de incerteza financeira. Perosa comentou que, ao mesmo tempo em que a demanda interna se mantém, o mix de exportação que gerava estabilidade de preços agora está sob pressão.
Expectativas para o Futuro e o Mercado de Carne
Ainda que, a princípio, os preços da carne mantenham-se estáveis, Perosa alerta que a pressão sobre as margens de produção e o aquecimento da economia podem resultar em ajustes futuros nos valores da carne. “Estamos em uma fase de transição importante”, afirmou. Com isso, o setor agropecuário brasileiro observa atentamente as tendências do mercado, as exigências internacionais e como essas mudanças afetarão a exportação de carnes e o resultado econômico nacional.
O veto da União Europeia representa um golpe significativo na posição do Brasil como um dos maiores exportadores de carne do mundo, exigindo um esforço conjunto entre o Ministério da Agricultura, a indústria e os pecuaristas para reverter essa situação crítica. O futuro das exportações brasileiras dependerá de adaptações rápidas e efetivas às novas normas estabelecidas pelos mercados internacionais.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: exportação de carne, União Europeia, antimicrobianos, mercado de carne, Brasil, Abiec, salvaguardas chinesas, indústria de carnes, restrições de importação, agronegócio,
