O que está em jogo para o agro brasileiro no acordo UE-Mercosul
No dia 9 de fevereiro de 2024, os países da União Europeia deram um importante passo ao aprovar o acordo de livre comércio com o Mercosul, cuja assinatura está prevista para o próximo dia 17. Este tratado, que envolve quatro países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - é considerado um marco na história do comércio internacional. O setor agropecuário brasileiro, que há muito luta para conquistar mercados internacionais, poderá ser um dos maiores beneficiários desse acordo.
A importância do setor agro no acordo
Embora o acordo não se restrinja ao agro, este tema foi um dos mais debatidos durante as negociações que se estenderam por mais de duas décadas. O Brasil, um dos principais produtores de alimentos do mundo, verá sua posição fortalecida, especialmente porque a União Europeia é o segundo maior mercado para os produtos agrícolas brasileiros, vindo atrás apenas da China e à frente dos Estados Unidos.
Desafios e oportunidades para o agro brasileiro
A aceitação do acordo na Europa e as preocupações dos agricultores locais têm sido um tema delicado. Produtores europeus, particularmente na França e Polônia, têm protestado contra a introdução de produtos sul-americanos, que, devido à competitividade, podem colocar em risco a produção local. Com isso, o medo de uma saturação no mercado europeu e a possível perda de espaço para produtos brasileiros é uma realidade que precisa ser discutida com mais profundidade.
Benefícios esperados e produtos em destaque
O acordo prevê a eliminação de tarifas de importação sobre 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia importa do Mercosul. Isso abre espaços para a inclusão de produtos como café, frutas, carnes, crustáceos e óleos vegetais, que terão suas taxas de importação gradualmente eliminadas. O setor de carnes, especialmente, é um foco de atenção, uma vez que os pecuaristas europeus expressam preocupação com a competitividade do Brasil, que já é o maior exportador global de carne bovina.
Comercialização de carnes e suas implicações
Especificamente no setor de carnes, o acordo estabelece cotas de exportação e tarifações que visam equilibrar a competitividade entre os produtores sul-americanos e europeus. A cota Hilton, que permite que o Brasil exporte 10 mil toneladas de carne bovina com uma taxa de 20%, será eliminada, possibilitando que o Brasil exporte até 99 mil toneladas anualmente com uma tarifa de apenas 7,5%.
O potencial do café brasileiro no mercado europeu
Além das carnes, o café figura como um dos principais produtos brasileiros exportados para a UE, especialmente o café solúvel. Com a redução das tarifas, que hoje giram em torno de 9% para o café solúvel e 7,5% para o café torrado, o Brasil se coloca em uma posição competitiva com relação ao Vietnã, seu maior concorrente neste segmento. A expectativa é que, com a eliminação das tarifas em um período de quatro anos, a competitividade do café brasileiro aumente significativamente.
A soja e suas especificidades no acordo
Curiosamente, a soja não deve ser afetada pelo acordo, pois já conta com tarifas zero na exportação para a Europa. Apesar disso, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) acredita que o acordo trará previsibilidade para os exportadores, reduzindo custos e aumentando a competitividade geral do Brasil no mercado europeu.
Preocupações com as salvaguardas impostas pela UE
Uma das maiores preocupações em relação ao acordo é a implementação das chamadas salvaguardas, que são regras aprovadas pela UE que podem limitar as exportações em caso de aumento excessivo de produtos considerados
Fonte: G1 Agro
