Exportações de Carne Bovinha Brasileira para os EUA Disparam: Entenda os Fatores por Trás da Alta
As vendas de carne bovina brasileira para os Estados Unidos apresentaram uma surpreendente alta de 498% em abril de 2025, se comparadas ao mesmo mês do ano anterior. Esta explosão nas exportações, que fez o volume saltar de 8 mil toneladas para aproximadamente 48 mil toneladas, foi vista como uma grande surpresa pelo setor, conforme informou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
O Impacto das Tarifas
Este aumento ocorreu em um momento delicado, coincidente com a decisão do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de elevar as tarifas de importação sobre as carnes. A nova taxa de 36,4% foi uma combinação da antiga tarifa de 26,4% com uma sobretaxa de 10%. Apesar desse encarecimento, as exportações brasileiras continuam a florecer, colocando o país numa posição privilegiada no mercado norte-americano.
Por Que a Demanda Está Alta?
Os motivos para o crescimento nas compras americanas são variados. De acordo com Perosa e o analista Fernando Henrique Iglesias da consultoria Safras & Mercado, um dos principais fatores é o declínio do rebanho bovino nos EUA, que atingiu seu menor nível em 80 anos. Ao mesmo tempo, a cultura de consumo intensivo de carne, como hamburgers, mantém a demanda constante e elevada.
“Nos Estados Unidos, eles comem hambúrguer todos os dias. Então, não dá para você falar 'olha, para de consumir hambúrguer'. É uma questão cultural”, enfatiza Perosa. Essa analogia é interessante, pois reflete a realidade de muitos consumidores nos EUA, onde a carne vermelha é um pilar da dieta diária.
O Preço da Carne
Outro fator crucial que propicia o crescimento das exportações é o preço da carne. A arroba do boi gordo no Brasil gira em torno de US$ 54 a US$ 55, enquanto nos EUA esse valor chega a US$ 115 a US$ 120. Essa diferença significativa faz com que, mesmo com tarifas elevadas, a carne brasileira permaneça competitiva e atraente para os consumidores americanos.
O Papel do Brasil e a Concorrência
Embora a Austrália seja atualmente a maior fornecedora de carne bovina para os EUA, o Brasil mantém uma presença significativa neste mercado. O país ocupa a posição de segundo maior exportador para os EUA, seguido de perto pela China, o principal destino das exportações brasileiras.
Perosa destaca que a Austrália exporta carnes que são direcionadas diretamente para as prateleiras dos supermercados americanos, enquanto o Brasil direciona suas exportações principalmente para a indústria de carne processada. Essa diferenciação permite que o Brasil mantenha uma fatia considerável do mercado, mesmo diante da forte concorrência.
Expectativas Futuras
Diante deste cenário, as perspectivas para as exportações de carne bovina brasileira para os EUA são otimistas. O avião comercial do Brasil vai continuar a voar alto, equiparando-se à demanda crescente, que deve se manter mesmo com o protagonismo australiano. “As exportações do Brasil para os EUA devem continuar em alta, pois a carne americana é simplesmente mais cara”, resumiu Iglesias.
Em resumo, a combinação entre a redução do rebanho bovino dos EUA, a cultura de consumo intensivo de carne e a competitividade dos preços da carne brasileira são fatores que, juntos, projetam um futuro promissor para as exportações de carne bovina do Brasil. O agronegócio brasileiro, portanto, se destaca não apenas pela qualidade de suas carnes, mas também pela capacidade de se adaptar às demandas do mercado global.
Fonte: G1 Agro
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