Exportação de Gado Vivo Aumenta em 100%, Mas Críticas Persistem
Nos últimos anos, o Brasil tem visto um aumento significativo na exportação de gado vivo, especialmente através do transporte marítimo. Em uma comparação entre os anos de 2023 e 2025, as exportações dobraram, atingindo um recorde de quase 4 milhões de quilos de bovinos. Este crescimento foi destacado pela Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.
A maior parte do gado é comprada por países em busca de animais para engorda e abate, entre eles estão as nações da região do Magreb, como Marrocos, Argélia e Tunísia. Embora o valor das exportações de gado vivo seja menor em comparação com a carne bovina - que superou 3 bilhões de quilos em 2024 - essa modalidade comercial ainda representa uma alternativa vantajosa para os pecuaristas. Segundo Lincoln Bueno, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), essa prática ajuda a regular o preço do boi no mercado interno, o que traz benefícios tanto para os produtores quanto para o mercado agrícola no geral.
No entanto, o transporte de gado vivo por navios não vem sem controvérsias. Especialistas em bem-estar animal expressam preocupações que vão de problemas de superlotação e ventilação inadequada até as condições higiênicas nas embarcações. Um caso alarmante aconteceu no final de 2025, quando um navio com cerca de 3 mil vacas vindo do Uruguai ficou encalhado na Turquia, resultando em dezenas de mortes e na denúncia de maus-tratos. Similarmente, o Brasil já enfrentou críticas em 2018 quando um navio carregando 25 mil bois permaneceu superlotado no Portos de Santos por uma semana, gerando poluição e odor intenso.
Ainda que a fiscalização sobre o transporte de gado vivo seja considerada rigorosa - segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) - muitos especialistas dizem que a realidade a bordo é distinta. Durante as viagens, que podem durar até 10 dias, os animais são alimentados com feno ou farelo, mas recebem menos nutrientes do que em fazendas. Além disso, a ventilação nos decks inferiores é frequentemente inadequada, criando um ambiente insalubre e estressante, favorecendo o surgimento de doenças e mortes durante o transporte.
Critérios e dificuldades do Transporte Marítimo de Gado
Os navios utilizados para a exportação de gado vivo variam em capacidade, podendo acomodar de 4 mil a 30 mil bovinos, com a maioria dos embarques sendo composta por bezerros de cerca de 300 kg. As regulamentações atuais determinam que os animais devem ser hospedados em baias que limitam seu movimento, facilitando a manutenção da estabilidade da embarcação. Contudo, essa prática resulta em uma escassez de espaço, fazendo com que os bovinos enfrentem condições desconfortáveis durante a viagem.
Além da superlotação, a coleta de dejetos se torna um desafio em embarcações não projetadas especificamente para o transporte de gado, elevando os níveis de umidade e amônia, o que é prejudicial à saúde dos animais. É comum que um a três animais venham a falecer em cada viagem, um índice que, segundo especialistas, poderia ser bem menor se as condições de transporte fossem adequadas.
Caminhando no sentido de abordar as críticas, especialistas destacam que alguns países já implementaram restrições à exportação de gado vivo. O Reino Unido e a Nova Zelândia, por exemplo, proíbem essa prática, citando preocupações semelhantes sobre o bem-estar animal. No entanto, a Abeg defende que a legislação brasileira, como a Instrução Normativa 46 de 2018, que regula o transporte marítimo de gado, é suficiente para garantir a segurança e o bem-estar dos animais.
O Futuro da Exportação de Gado Vivo
À medida que a demanda global por carne bovina continua a crescer, o desafio será equilibrar as necessidades comerciais com as preocupações em relação ao tratamento saudável do gado. A discussão sobre a necessidade de transformar as práticas de transporte e considerar alternativas que envolvam a exportação de carne refrigerada ganha força a cada dia.
Os especialistas em bem-estar animal, os defensores do meio ambiente e a indústria de exportação devem se unir para encontrar soluções que assegurem que o crescimento das exportações não aconteça à custa do bem-estar dos animais. O diálogo entre as agências regulatórias, os produtores e os consumidores é essencial para gerar um futuro sustentável para a pecuária brasileira.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: exportação de gado vivo, bem-estar animal, transporte marítimo, pecuária brasileira, Abeg, Agrostat, gado, emissão de poluentes, condições de transporte, frigoríficos,
