Desafios Alimentares na Periferia: Como Famílias em São Paulo Enfrentam a Alta da Inflação

Publicado em: 13/03 11:00

Desafios Alimentares na Periferia: Como Famílias em São Paulo Enfrentam a Alta da Inflação

Desafios Alimentares na Periferia: Como Famílias em São Paulo Enfrentam a Alta da Inflação

A alta nos preços dos alimentos tem sido um desafio crescente para muitas famílias da periferia de São Paulo. Com uma inflação que chegou a 7,69% nos alimentos no ano passado – muito acima da média geral – o impacto nas mesas da classe trabalhadora é palpável. Dentre as que enfrentam a crise, Ionara de Jesus, moradora do Parque Santo Antônio, relata sua experiência na busca por alternativas de alimentação para seus três filhos.

Driblar os preços” – essa é a estratégia que Ionara encontra para alimentar sua família. Desde que ficou viúva e se tornou responsável pelo sustento da casa, seus desafios aumentaram substancialmente. A renda mensal que recebe do Programa Operação Trabalho é insuficiente para cobrir os gastos básicos, o que a leva a contar com cestas básicas do Instituto Josefina Bakhita.

O impacto da inflação na alimentação

O cenário econômico não afeta apenas Ionara, mas sim muitas famílias em São Paulo. Com o aumento dos preços de itens como café e ovos, que chegaram a ter alta de 50% e 40%, respectivamente, as opções nas prateleiras se tornaram limitadas. “Antes, o café e os ovos eram parte da nossa rotina. Agora, se tornaram produtos de luxo”, desabafa Marisa Munção, diretora do instituto que auxilia Ionara.

A escassez de carnes na mesa dessas famílias é outro reflexo claro da inflação. Ionara não consegue incluir carne bovina em suas refeições há cerca de seis meses devido à elevação de preços, que, segundo o IBGE, supera 20% este ano. Agora, a alimentação dos filhos se resume a arroz e feijão na maior parte dos dias.

Estratégias criativas para vencer a crise

Perante essa realidade, Ionara se vê obrigada a ser criativa. Ela substitui o feijão tradicional pelo feijão fradinho, mais barato, e recorre a receitas que utilizam farinhas e outras fontes de carboidratos. “Inventar pratos com o que temos se tornou uma arte”, afirma. Além disso, ela desenvolveu um sistema de revezamento entre cada membro da família para consumir café, a fim de prolongar a duração do produto em casa.

A realidade de Luiz Benedito, que vive na Vila Nova Cachoeirinha, também reflete essa nova forma de lidar com os altos custos. Embora tenha visto sua renda aumentar, o motorista de aplicativo teve que mudar seus hábitos alimentares. Ele e sua família agora consomem basicamente frango, uma alternativa mais acessível em comparação à carne vermelha. “Temos que adaptar nossas compras. O café e o arroz que consumimos são os mais baratos. Não podemos nos dar ao luxo de comprar marcas preferidas”, diz ele.

As repercussões na saúde e na nutrição

Especialistas alertam sobre as consequências da elevada inflação alimentar, especialmente para as classes mais baixas. A advogada Léa Vidigal destaca que a diminuição do acesso às proteínas, como carne e ovos, pode prejudicar a formação de crianças e afetar a saúde a longo prazo. “A desigualdade é visível quando olhamos para a qualidade dos alimentos que as diferentes classes consomem”, afirma.

As táticas de redução de despesas estão se tornando comuns. A gestora de marketing Marcella Dragone, por exemplo, também tem notado as mudanças em sua rotina de compras e busca produtos mais acessíveis sem abrir mão da qualidade. No entanto, sua experiência é diferente; ela tem recursos para lidar com os preços altos de alimentos orgânicos e, quando necessário, substitui produtos por opções mais baratas. “Com a inflação, temos feito ajustes nas compras, mas tentamos manter uma alimentação mais saudável”, diz ela.

Em busca de alternativas sustentáveis

O aumento das despesas vai além do que se vê nos carrinhos de supermercado. As famílias precisam, cada vez mais, optar por produtos mais econômicos, mudar marcas e priorizar o que realmente é essencial. Para muitos, isso inclui o uso de compras em atacado, que se tornaram uma maneira de economizar, apesar do pagamento inicial mais elevado.

À medida que a situação econômica se torna mais desafiadora, as estratégias encontradas por essas famílias expõem a resiliência e a criatividade diante das adversidades. Ionara e Luiz, assim como muitos paulistanos, aprendem a adaptar suas vidas a novas realidades, transformando o que parece ser uma crise em um momento de aprendizado e inovação na cozinha, priorizando a alimentação e a saúde de suas famílias. A luta pela comida nunca foi tão intensa, mas é através dela que surgem novas histórias de superação.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: alta da inflação, alimentação saudável, famílias de baixo rendimento, estratégias de compras, custo de vida, comida na periferia, preços dos alimentos, desigualdade social, alternativas alimentares, mercado de alimentos,

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