Declínio do Rebanho Bovino nos EUA Impulsiona Preços da Carne Bovina para Altos Níveis
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) anunciou na última sexta-feira (30) que o rebanho bovino no país diminuiu para 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o que representa o menor número desde 1951. Esse declínio acentuado deve-se a uma seca persistente que forçou os pecuaristas a reduzir seus rebanhos, resultando em uma queda de 0,4% em relação ao ano anterior.
Os impactos dessa redução no rebanho são significativos para o mercado de carne bovina. Os preços, que já estavam altos, devem permanecer elevados por pelo menos mais dois anos. Isso se deve ao tempo necessário para que os pecuaristas possam reconstruir seus rebanhos após a seca que afetou a produção. O impacto disso é que a carne bovina, incluindo os cortes populares como a carne moída e bifes, permanece em patamares de preço recordes.
Rich Nelson, estrategista-chefe da Allendale, comentou sobre a situação, afirmando que "não há sinais de uma reconstrução de verdade" dos rebanhos, o que pode levar a uma continuidade dos altos preços. Isso coincide com um cenário econômico mais amplo, onde os preços elevados dos alimentos têm contribuído para uma queda na confiança do consumidor nos EUA, atingindo níveis mais baixos em mais de 11 anos.
Esse clima de incerteza econômica pressionou o presidente republicano Donald Trump a se posicionar sobre o tema. Durante seu discurso em outubro, Trump prometeu tornar a carne bovina mais acessível ao público. Contudo, mesmo com essas promessas, os preços só aumentaram, com a carne moída chegando a custar incríveis US$ 6,69 por libra em dezembro. Esse valor representa um aumento de mais de 2% em relação ao mês anterior e um aumento de 19% em relação ao ano anterior, segundo dados do Bureau of Labor Statistics.
Desde 2019, o rebanho bovino nos Estados Unidos está em um declínio contínuo. As secas nas regiões oeste do país têm afetado as pastagens, gerando uma pressão adicional sobre os custos de alimentação do gado. Como resultado, muitos pecuaristas tomaram a difícil decisão de enviar seus animais para abate ao invés de mantê-los para reprodução. O número de vacas de corte, por exemplo, caiu 1% em relação ao ano anterior, totalizando 27,6 milhões de cabeças em 1º de janeiro, o menor número registrado desde 1961.
Além disso, a situação no setor de processamento de carne também é preocupante. A Tyson Foods, uma das maiores processadoras de carne bovina do mundo, anunciou o fechamento definitivo de uma fábrica em Nebraska, que empregava cerca de 3.200 trabalhadores. A empresa também está reduzindo suas operações em uma unidade localizada no Texas. Estes cortes refletem as dificuldades que a indústria está enfrentando, que inclui não apenas a escassez de gado, mas também a pressão dos preços nos consumidores.
À medida que o mercado de carne bovina americana enfrenta esses desafios, a atenção está voltada para o futuro. Os pecuaristas que conseguiram sobreviver a esta crise estão agora questionando como reconstruir seus rebanhos, enquanto os consumidores lidam com os preços crescentes. A intersecção entre decisões de gestão no campo e questões de política pública está se tornando mais evidente à medida que a administração federal busca soluções para tornar a carne bovina mais acessível.
Conforme a situação evolui, será necessário monitorar de perto as tendências do mercado e as respostas tanto dos consumidores quanto dos produtores. A expectativa é que, enquanto o rebanho continua a ser afetado pelas condições climáticas e pela gestão do setor, os preços da carne bovina continuem a ser um dos focos centrais da economia alimentar nos EUA nos próximos anos.
Fonte: G1 Agro
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