Crescimento na Pecuária de Confinamento: Eficiência Aumenta em 4% Até 2024
O Brasil solidifica sua posição como um dos principais produtores de carne bovina no mundo, ocupando a segunda colocação, apenas atrás dos Estados Unidos. Com um impressionante volume de quase 12 milhões de toneladas de carne bovina produzidas em 2024, o país representa cerca de 20% da produção global, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Contudo, uma modalidade específica da pecuária, a pecuária de confinamento, tem sido destaque no setor agropecuário, revelando um crescimento significativo e novas estratégias para maximizar a eficiência produtiva.
Segundo um recente relatório da Cargill, denominado Benchmarking Confinamento Probeef, que analisou dados de aproximadamente 250 pecuaristas, a utilização de ração na criação de bovinos apresenta um aumento de 4% na eficiência biológica entre 2020 e 2024. Essa melhora significa que menos ração está sendo utilizada para alcançar o mesmo crescimento dos animais nas fazendas. Essa modalidade de criação de gado, que acontece em ambientes restritos onde os animais são alimentados de maneira controlada, representa atualmente 21% do abate de gado de corte no Brasil, conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Entendendo a Pecuária de Confinamento
A pecuária de confinamento é caracterizada por um manejo distinto, onde os gados são alimentados em currais e recebem rações concentradas. Essa prática, embora não substitua completamente o modelo de pastagens, se mostra cada vez mais relevante. Ela proporciona um aumento significativo na produtividade e permite que os pecuaristas se adaptem a um mercado cada vez mais exigente. O confinamento é especialmente interessante para períodos de baixa na arroba, quando os produtores têm a flexibilidade de ajustar sua produção e reduzir ciclos.
Avanços Tecnológicos e Eficiência
O uso de tecnologias de automação e inteligência artificial tem sido um dos fatores principais que contribuem para a melhora na eficiência da pecuária de confinamento. Os produtores mais bem-sucedidos implementam ferramentas como softwares de gestão e análogas ao uso de drones para monitoramento do bem-estar animal. De acordo com Felipe Bortolotto, gerente de tecnologia de bovinos de corte da Cargill, essa adoção tecnológica é um reflexo da necessidade cada vez maior de maximizar a produtividade, em um cenário onde a pressão sobre o uso da terra se intensifica.
Os dados coletados na pesquisa revelam que a eficiência na utilização de matéria seca para a produção de arrobas aumentou consideravelmente. Em 2020, para cada arroba produzida, eram necessários, em média, 151,7 quilos de ração, cifra que caiu para 145,9 quilos em 2024. Nos melhores casos, a eficiência é ainda mais elevada, e alguns confinadores conseguem produzir arrobas com apenas 134,6 quilos de ração.
Mercados de Exportação e Futuro da Pecuária
Os mercados internacionais estão se tornando um foco importante para a pecuária de confinamento no Brasil. Em 2024, a China e a União Europeia foram os principais destinos, recebendo 57% dos bovinos criados sob esse sistema. Essa exportação inclui cortes de alta qualidade, como os vendidos na chamada Cota Hilton. Outros mercados emergentes, como Japão e Vietnã, também despontam como consumidores promissores.
Práticas que Contribuem para a Eficiência
Os ganhos em eficiência na pecuária de confinamento podem ser atribuídos a várias práticas, entre elas:
- Melhoramento Genético: Investimentos em genética de qualidade colaboram para aumentar a produtividade dos bovinos.
- Manejo do Cocho: Técnicas adequadas na alimentação proporcionam uma melhor digestão e aproveitamento dos nutrientes.
- Inteligência Artificial e Automação: Adoção de soluções tecnológicas que ajudam a monitorar a saúde e o bem-estar animal.
Na prática, técnicas como a leitura noturna do cocho, que permite um melhor ajuste às necessidades alimentares dos animais, demonstraram economizar até R$ 33 por animal. O uso de automação nos processos de alimentação também representa uma maior precisão e eficiência para os criadores. Estudos indicam que aqueles que implementaram drones no monitoramento dos rebanhos obtiveram lucros adicionais significativos.
Conclusão
Portanto, a pecuária de confinamento no Brasil está em expansão. A combinação de investimentos em tecnologia e práticas de manejo eficientes não só melhora a rentabilidade dos pecuaristas, mas também coloca o Brasil em uma posição competitiva no mercado global. À medida que a demanda por carne bovina aumenta e novas estratégias são implementadas, a pecuária de confinamento continuará a se destacar como uma modalidada crucial no agronegócio brasileiro.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: pecuária de confinamento, eficiência, Brasil, Cargill, carne bovina, tecnologia, inteligência artificial, aumento de produtividade, agro, pecuaristas,
