Na última sexta-feira (21), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) alertou que o café solúvel brasileiro ainda se encontra sujeito a uma taxa de 50% nos Estados Unidos, o que inclui uma tarifa adicional de 40% que foi recentemente suspensa para outros produtos. Essa situação ocorre em um contexto onde as negociações bilaterais entre Brasil e EUA estão avançando, mas não trazem alívio para o segmento específico do café solúvel.
Na quinta-feira (20), o governo americano anunciou a suspensão da tarifa adicional de 40% sobre diversos produtos brasileiros, um gesto positivo que ocorreu após a retirada da taxa de reciprocidade de 10% que afetava cerca de 200 mercadorias. Isso trouxe um alívio significativo para produtos como café em grão, carne, banana e especiarias, mas deixou o café solúvel à margem desta decisão.
“Embora celebremos a reversão das tarifas para outras categorias agrícolas, a ABICS lamenta profundamente que o café solúvel brasileiro continue na lista de produtos sujeitos à alta taxa”, afirmou a entidade. De acordo com Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o café solúvel corresponde a aproximadamente 10% de todas as exportações de café do Brasil e gera receitas significativas, que somam cerca de US$ 1,1 bilhão ao ano.
As tarifas atuais representam um grande desafio para o segmento, que já sofreu um impacto negativo, com a redução das importações do café por parte dos EUA. De acordo com Marcos Matos, a próxima etapa é continuar as negociações com o governo brasileiro. “Estamos agendados para reuniões importantes com o Ministério das Relações Exteriores e outros ministérios entre os dias 27 e 28 de novembro. O foco é reverter essa injusta tarifa sobre o café solúvel”, afirmou Matos, reiterando que as acusações de que as negociações estão indo bem são encorajadoras.
Para entender o contexto dessas tarifas, é importante destacar a abordagem do presidente dos EUA, Donald Trump, e a referência a uma conversa telefônica realizada com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no início de outubro. Essa comunicação serviu como base para as negociações e a busca de um tratamento mais equitativo para os produtos agrícolas brasileiros.
Os Estados Unidos são o maior mercado externo para o café brasileiro, com cerca de 16% de todas as exportações do país. Isso torna a questão das tarifas especialmente crítica. O presidente Lula expressou sua satisfação com a decisão do governo dos EUA de retirar as taxas adicionais, pois representa um reconhecimento do diálogo e das relações comerciais entre os dois países. “Estamos muito felizes com a decisão e continuaremos a buscar um entendimento que elimine todas as tarifas ainda vigentes”, disse Lula.
Além da defesa do café solúvel, o governo brasileiro também celebrou a retirada das tarifas que incidem sobre produtos como carne bovina, açaí e cacau, enfatizando que isso ajuda a restaurar a competitividade no mercado externo. Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, apontou que essa medida é um sinal claro de progresso nas relações comerciais com os EUA, o que pode resultar em condições de comércio mais equilibradas.
A ABICS e outras associações do setor também celebraram a reversão das tarifas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) reconheceu que a decisão promove a estabilidade do comércio internacional e mantém condições justas para os exportadores, enquanto a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) realçou a importância de restabelecer o fluxo de comércio normal, o que foi prejudicado pelas tarifas anteriores.
Com frente a essa revisão das tarifas, o mercado de café solúvel brasileiro mantém esperanças de que novos acordos poderão ser firmados e que as condições poderão melhorar. As reuniões agendadas para o final de novembro são cruciais para determinar os próximos passos e estabelecer um diálogo contínuo que beneficie os exportadores brasileiros. Portanto, enquanto parte do setor agro comemora e respira aliviada, o café solúvel luta para encontrar seu espaço nas prateleiras dos supermercados americanos.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: café solúvel, tarifas EUA, exportações Brasil, ABICS, Marcos Matos, governo brasileiro, negociações comerciais, café brasileiro, mercado americano, comércio internacional,
