Queda nos Preços de Café Tradicional e Gourmet em 2026
Em abril de 2026, os preços do café no Brasil mostraram uma tendência de queda significativa em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Enquanto os cafés tradicionais e gourmet sofreram quedas notáveis, os segmentos mais premium, como o café descafeinado e o especial, enfrentaram altas consideráveis.
Valores Médios em Queda
O preço médio do quilo do café tradicional e extraforte caiu 15,5%, ficando em R$ 55,34. Já o café superior teve uma redução de 12,6%, com preço médio de R$ 70,37, enquanto o gourmet viu uma diminuição de 3,7%, atingindo R$ 106,66. Além disso, o café em cápsula também ficou mais acessível, com uma queda de 9,4%, agora custando R$ 364,16 o quilo. O drip coffee registrou uma diminuição de 5,2%, com valor médio de R$ 238,38.
Exceções à Regra
Entretanto, nem todos os segmentos do café acompanharam essa tendência de queda. O café descafeinado aumentou seu preço médio em 21%, alcançando R$ 114,93, enquanto o café especial viu uma alta de 16,8%, subindo para R$ 161,26. O café solúvel, por outro lado, manteve-se praticamente estável, com um leve aumento de 0,5%, fazendo o preço médio chegar a R$ 224,99.
Por Que o Café Descafeinado e o Especial Ficaram Mais Caros?
O diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio da Silva, explica que o aumento do preço do café descafeinado se deve ao fato de que a maior parte desse processo ainda é realizado no exterior, especialmente na Suíça. A complexidade e os custos envolvidos nesse processo resultam em preços mais altos para o consumidor. O Brasil possui apenas algumas indústrias capazes de realizar a descafeinação em larga escala, como a Cocam e a Eisa, além da DM Descafeinadores do Brasil, que é a maior do país.
O café especial, por sua vez, carrega um custo de produção elevado. Para que um café seja classificado como 'especial', é necessário um investimento maior em seu cultivo e manejo. Com apenas 1% do consumo total de café no Brasil, o mercado de cafés especiais ainda lida com desafios de distribuição que impedem uma redução significativa em seus preços.
Expectativas de Mercado para o Futuro
Depois de um período complicado, com aumentos acentuados de preços provocados por problemas climáticos entre 2021 e 2024, que afetaram a produção, há sinais de recuperação no segmento. Celírio Inácio da Silva menciona que, após uma queda no consumo de 5% de janeiro a abril de 2024, o cenário começou a melhorar com um aumento de 2,44% no mesmo período de 2026, indicando uma volta ao patamar de consumo anterior.
A produção de café para 2026 também se mostra promissora, com a expectativa de um clima favorável que pode impulsionar tanto a produção quanto a venda dos grãos. No entanto, o especialista alerta que é improvável que os preços retornem aos níveis de 2020, quando o mercado ainda era estável. Para um reequilíbrio significativo nos preços, seriam necessárias várias safras boas consecutivas para restaurar os estoques mundiais.
Conclusão
Em resumo, o mercado de café enfrenta um cenário misto em 2026, com uma queda significativa nos preços de cafés tradicionais e gourmet, enquanto os segmentos descafeinado e especial apresentam desafios que resultam em aumentos de preços. A perspectiva para o futuro, apesar das altas de preços nos segmentos premium, é de um mercado mais acessível e em crescimento, desde que as condições climáticas continuem favoráveis e as safras sejam robustas.
Fonte: G1 Agro
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