Aumento no Preço do Suíno Afeta Competitividade do Frango no Brasil em Junho de 2025
No Brasil, o mercado de carnes enfrenta um novo panorama em junho de 2025, com a carne suína experimentando um aumento significativo em seu preço, enquanto a proteína avícola (frango) se torna cada vez mais competitiva no cenário doméstico. De acordo com os dados mais recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a alta no preço do suíno foi de 3,93% em comparação com maio, elevando o custo do quilo para R$ 8,73. Em fevereiro, a carcaça suína já havia registrado uma elevação de 10,8%, subindo para R$ 13,20 por quilo, gerando preocupações sobre sua competitividade em relação à carne de frango.
A Análise do Mercado de Carnes
Os aumentos nos preços da carne suína estão diretamente relacionados aos recuos nos preços da carne de frango, conforme destaca a Esalq/USP em Piracicaba (SP). As dificuldades impostas às exportações devido à gripe aviária impactaram fortemente os valores de mercado, considerando que os parceiros comerciais do Brasil têm restringido a importação deste produto. Isso resultou em um aumento na quantidade de carne disponível no mercado interno, influenciando negativamente as cotações.
Os dados do Cepea indicam que, apesar da recente valorização das carcaças suínas no atacado da Grande São Paulo, as quedas dos preços registradas na segunda quinzena de maio até o início de junho impediram um avanço significativo nas médias mensais.
Concorrência Direta: Carne de Frango Ganha Espaço
O frango, que foi negociado a R$ 5,37 o quilo em fevereiro — uma queda de 2,4% em relação a janeiro — tem mostrado um comportamento distinto em suas cotações. As expectativas indicam um aumento na competitividade da carne de frango em relação às proteínas suína e bovina, que também apresentam recuos nos preços, mas em menor proporção. "A grande quantidade de carne de frango disponível no mercado local, em resposta às restrições às exportações, tem pressionado significativamente os valores", afirmam os analistas do Cepea.
O Impacto das Exportações e Restrições de Mercado
A pressão sobre os preços das carnes é ainda mais impactada pela recente declaração do Brasil como país livre de gripe aviária, conforme comunicado do Ministério da Agricultura, que enfatiza que a doença não é transmitida por meio da carne de aves ou ovos. Sendo o maior exportador de frango do mundo, o país aguarda a flexibilização das restrições impostas por seus parceiros comerciais, o que poderá reverter a pressão sobre os preços na medida em que as cotas de exportação sejam normalizadas.
Expectativas para o Futuro do Setor
Os especialistas preveem que, com a recuperação esperada do mercado internacional, a carne suína pode retomar parte de sua competitividade nos próximos meses. Contudo, a situação permanece delicada, pois a procura de frigoríficos ainda supera a oferta de animais para abate, o que pode continuar a pressionar os preços para cima.
Além disso, a situação do mercado bovino também merece destaque. Dados recentes indicam que os preços do boi, da vaca, da novilha e do mercado de reposição mantêm-se firmes neste cenário, apesar da lentidão observada nas vendas no atacado. A concorrência entre as diferentes proteínas continuará a moldar as dinâmicas de preço e oferta no Brasil, e os consumidores deverão estar atentos a essas mudanças.
Conclusão: O Que Esperar?
No geral, a situação do mercado de carnes no Brasil revela uma complexa teia de influências que afeta não apenas os preços, mas também a dinâmica de consumo entre as diferentes proteínas. O aumento nos preços da carne suína e os recuos na carne de frango apontam para uma transição no comportamento do consumidor, que poderá optar mais por uma proteína em detrimento de outra conforme as condições do mercado se desenrolam. Observadores do setor continuarão a acompanhar as tendências, especialmente no que diz respeito às restrições de exportação e à competitividade das diversas carnes no Brasil.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: preço do suíno, aumento de preço, competitividade do frango, mercado de carne, Brasil, Cepea, gripe aviária, carcaça suína, restrições de exportação, consumo de carne,
