A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou que a alta do dólar agravou as dificuldades enfrentadas pelo setor de moagem nacional, levando a um cenário de aumento nas importações de trigo para 2024. Em nota divulgada nesta segunda-feira (23), a Abitrigo destacou que, com a moeda norte-americana valorizando-se quase 28% frente ao real em 2023, o custo de importação do cereal deve aumentar, resultando em um encarecimento inevitável da farinha de trigo.
Outro fator que impulsiona a necessidade de importação é a redução na produção nacional. A indústria de trigo enfrenta uma colheita de qualidade inferior, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, em decorrência de problemas climáticos como chuvas excessivas. De acordo com a Estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a importação do cereal deverá crescer quase 9% em relação ao período anterior, atingindo mais de 6 milhões de toneladas, o maior volume em cinco anos.
No Brasil, de janeiro a novembro, foram importadas 6,1 milhões de toneladas de trigo, um aumento de 62% em comparação ao mesmo período de 2022. No mercado interno, os preços da soja estão se ajustando, e atualmente, a tonelada do trigo no Paraná é vendida em torno de R$ 1.400, uma queda em relação ao pico de R$ 1.500 registrado em setembro.
A combinação de fatores como a volatilidade nas cotações internacionais, as adversidades climáticas e a intensa valorização do dólar tem pressionado toda a cadeia produtiva de trigo, desafiando as indústrias moageiras. A Abitrigo confirmou que esta situação de pressão será refletida nos custos operacionais, sinalizando um aumento nos preços de venda da farinha de trigo nos próximos meses.
Embora o Brasil continue a importar grandes volumes de trigo, o país também realiza exportações, como as do Rio Grande do Sul. Essa dinâmica reduz a disponibilidade interna do produto, criando um panorama desafiador para o setor em 2024. Mesmo havendo a expectativa de uma possível queda no câmbio, as exportações já realizadas continuarão a exigir importações para suprir o mercado interno, especialmente no Paraná.
Fonte: G1 Agro
