Acordo UE-Mercosul: Impactos Diretos para o Setor Agro e o Mercado de Vinhos no Brasil

Publicado em: 08/05 07:00

Acordo UE-Mercosul: Impactos Diretos para o Setor Agro e o Mercado de Vinhos no Brasil

Acordo UE-Mercosul: Impactos Diretos para o Setor Agro e o Mercado de Vinhos no Brasil

A partir de 1° de setembro de 2023, um novo marco se estabelece no comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O acordo de livre comércio, que estava em fase de implementação provisória, traz uma série de alterações nas tarifas de importação de produtos, particularmente os vinhos e champanhes, que devem refletir positivamente no mercado brasileiro.

Tarifas de Importação: O Que Muda?

Com o acordo, a taxa de importação sobre vinhos europeus e champanhes começou a ser reduzida, caindo de 27% para 24% nesta sexta-feira. Essa redução será gradual, com previsão de zerar a tarifa em 2034. A tabela a seguir detalha a progressão das tarifas de importação:

  • 1° de setembro de 2023: de 27% para 24%.
  • 1° de janeiro de 2027: de 24% para 21%.
  • Em 2034: tarifa zerada.

Os espumantes apresentam um cronograma distinto. Garrafas acima de US$ 8 por litro terão a taxa eliminada de imediato, enquanto as abaixo desse valor permanecerão com tarifa a ser zerada após 12 anos. Essa diferença é fundamental, visto que distingue o champanhe, que deve ser originado da região homônima na França, das demais variedades de espumantes.

Reações e Expectativas do Setor

Essas mudanças foram recebidas com expectativa, uma vez que podem proporcionar uma diversificação significativa na oferta de vinhos no mercado brasileiro. De acordo com Roberto Kanter, professor de MBA da FGV, a redução nas tarifas favorece a importação de vinhos mais baratos, permitindo ao consumidor brasileiro acessar uma variedade maior de rótulos a preços competitivos.

“É importante notar que a Europa abriga alguns dos maiores e mais renomados produtores de vinhos, como França, Itália e Espanha, que oferecem opções de rótulos com preços acessíveis”, afirma Kanter. O professor explica que a alta carga tributária é o que historicamente desencoraja a importação de vinhos mais em conta, e que essa nova modalidade poderá inverter esse cenário.

No entanto, os especialistas alertam que a redução não será imediata. José Niemeyer, professor de Relações Internacionais do Ibmec-RJ, complementa que o brasileiro pode esperar um mercado mais competitivo, com preços de vinhos europeus se aproximando dos oferecidos pelos rótulos chilenos e argentinos, que atualmente dominam o mercado nacional.

Impactos para o Agronegócio Brasileiro

A implementação provisória do acordo entre Mercosul e UE ainda enfrenta desafios. A resistência de produtores europeus, especialmente franceses, preocupa as autoridades e pode atrasar a implementação definitiva do tratado. Os europeus temem que a entrada de produtos agrícolas sul-americanos mais competitivos diminua sua fatia de mercado.

Porém, o que está claro é que o mercado interno brasileiro será atingido de forma direta. O aumento da competitividade pode levar à redução de preços e à ampliação da oferta de produtos no setor. Com as tarifas reduzidas, muitos negócios brasileiros podem ser incentivados a diversificar suas compras e oferecer ao consumidor uma gama mais ampla de vinhos e espumantes de qualidade.

Vinhos ao Longo do Ano: Uma Nova Era?

A inserção dos vinhos europeus no cenário nacional deve não apenas influenciar os preços, mas também enriquecer as opções disponíveis. Kanter observa que a tendência é que, com o tempo, o brasileiro terá a chance de experimentar vinhos de vários estilos e regiões, ampliando sua apreciação e conhecimento sobre diferentes culturas vitivinícolas.

Os consumidores de vinho no Brasil estão, portanto, em uma posição privilegiada. Com a redução gradual dos impostos, a expectativa é que, em breve, um número crescente de vinhos europeus, conhecidos por sua qualidade e diversidade, se torne mais acessível e atraente para o paladar brasileiro. Embora o consumidor ainda tenha que esperar um pouco para ver os efeitos totais do acordo, já se vislumbra um futuro promissor para o mercado de vinhos no Brasil.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: acordo UE-Mercosul, tarifas de importação, vinhos europeus, champanhes, mercado brasileiro, agronegócio, preços de vinhos, produtos agrícolas, competitividade, importação de vinhos,

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