Acordo Mercosul-UE pode transformar o mercado de vinhos e chocolates no Brasil

Publicado em: 15/01 09:00

Acordo Mercosul-UE pode transformar o mercado de vinhos e chocolates no Brasil

Acordo Mercosul-UE pode transformar o mercado de vinhos e chocolates no Brasil

Na última sexta-feira (9), o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi provisoriamente aprovado pelos países europeus, criando expectativas de mudanças significativas para o mercado brasileiro. Especialistas acreditam que, no longo prazo, esse acordo pode baratear os preços dos vinhos europeus e ampliar a variedade de chocolates premium disponíveis no Brasil.

Vinhos europeus: barateamento à vista

Atualmente, os países que fazem parte do Mercosul, incluindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, enfrentam uma taxa de importação de 27% sobre vinhos provenientes da Europa. Com o novo acordo, essa taxa deve ser eliminada ao longo de um período de 8 a 12 anos, dependendo do tipo de produto. Essa redução de tarifas abrirá novas oportunidades para os consumidores brasileiros.

De acordo com Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV, a diminuição dos impostos de importação é um passo positivo que permitirá que vinhos de diversas faixas de preço sejam acessíveis ao público. "Com as tarifas atuais, acaba sendo mais vantajoso importar vinhos mais caros, mas com a nova estrutura de tarifas, o mercado se diversificará e trará opções de vinhos de qualidade média a preços competitivos," explica Kanter.

Além de melhorar a experiência do consumidor, a redução de tarifas ajudará também os produtores locais a ajustarem suas linhas de produtos, aumentando a concorrência e, assim, estimulando a qualidade. No entanto, Kanter alerta que essa mudança não será instantânea. "Os benefícios serão gradativos, mas os consumidores podem esperar um aumento significativo na oferta de rótulos interessantes e diversificados," conclui.

O impacto sobre os chocolates

O cenário é parecido no setor de chocolates. Com uma taxa de importação atual de 20%, espera-se que, após a formalização do acordo, parte dos produtos entre no Brasil com tarifa zero em 10 anos, com a outra parte isenta em 15 anos. Isso poderá permitir que chocolates de marcas premium, que hoje não estão disponíveis no mercado, façam uma entrada significativa.

Entretanto, Kanter enfatiza que embora as marcas de chocolate premium europeias possam ganhar espaço nas prateleiras brasileiras, a baixa nos preços não será uma das suas consequências diretas. "O acordo beneficia mais os importadores e não necessariamente o consumidor casual, já que o chocolate de alta qualidade ainda terá um custo elevado devido ao seu posicionamento de mercado," explica.

Atualmente, o Brasil já conta com uma indústria diversificada de chocolate, com marcas que vão de populares a premium. Essa realidade faz com que a competição permaneça acirrada. Enquanto marcas como Nestlé e Garoto dominam o mercado popular, produtos mais sofisticados como Nugali e Dengo atendem ao público que busca qualidade superior. A chegada de marcas como Lindt após a redução das tarifas pode resultar numa ampliação do acesso a essas opções de chocolate.

O que esperar do futuro

O economista Marcos Troyjo, que foi o responsável por liderar as negociações do acordo, afirma que os benefícios para os consumidores brasileiros ocorrerão com o tempo e trarão uma nova dinâmica ao mercado. Ele acredita que a entrada de vinhos e chocolates europeus estimulará um aumento no consumo geral desses produtos, resultando em um "choque de expansão setorial" que beneficiará não apenas os consumidores, mas também o desenvolvimento de empregos associados ao sector.

Para os amantes de vinho, como José Niemeyer, professor de Relações Internacionais, o clima é otimista. "Com o aumento da concorrência, o consumidor brasileiro terá acesso a vinhos de melhor qualidade e com preços mais baixos}". Estamos em um momento de transformação que pode redefinir o mercado de vinhos e chocolates no Brasil.

Assim, o acordo estabelecido entre o Mercosul e a União Europeia é um passo na direção de um mercado mais diverso e acessível para os produtos que encantam os paladares brasileiros, com vantagens que, embora graduais, promovem um futuro bastante promissor.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: Acordo Mercosul UE, vinhos europeus, chocolates premium, importação Brasil, mercado brasileiro, economia, tendências de consumo, tarifas, comércio internacional,

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