Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia: Avanços e Desafios

Publicado em: 18/12 08:00

Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia: Avanços e Desafios
Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia: Avanços e Desafios

Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia: Avanços e Desafios

No cenário das relações comerciais internacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou, em uma reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (17), que não há um consenso definido na União Europeia (UE) sobre o aguardado acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul. Este tratado, que poderia transformar as dinâmicas de comércio global, enfrenta desafios que podem atrasar sua assinatura, inicialmente prevista para a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, Paraná, marcada para o próximo sábado (20).

Lula destacou que, apesar da expectativa de assinatura do tratado na data mencionada, as negociações enfrentam resistências significativas de países como a França e a Itália, que ainda não deram o aval necessário para a medida. “Essa reunião do Mercosul era para ser dia 20 de novembro. Eu mudei para o dia 20 de dezembro, porque a União Europeia pediu, que ela só conseguiria aprovar o acordo com o Mercosul no dia 19. E eu agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar”, afirmou o presidente.

Durante a reunião, Lula expressou sua esperança de que a UE diga “sim” em relação ao tratado, ressaltando que caso a resposta seja negativa, o Brasil pode adotar uma postura mais firme nas negociações futuras. “Nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, enfatizou o presidente.

Recentemente, o Parlamento Europeu deu um passo importante ao aprovar os mecanismos de salvaguarda para importações agrícolas vinculadas ao acordo com o Mercosul. Embora essa seja uma evolução positiva, as novas regulamentações são mais rigorosas do que as propostas originais da Comissão Europeia, que buscam equilibrar os interesses agrícolas europeus com as necessidades do bloco sul-americano.

A aprovação dessas salvaguardas representa uma fase crítica nas longas negociações que já duram mais de 26 anos. O texto agora precisa ser negociado mais uma vez com o Conselho Europeu, que deve aprovar ou alterar as condições, uma vez que havia respaldado uma versão anterior do acordo. O impacto desse tratado é colossal: se efetivado, ele criará a maior zona de livre comércio do mundo, incluindo as 27 nações da UE e os cinco países que compõem o Mercosul.

A expectativa é que as negociações avancem, com reuniões do Conselho Europeu programadas para as próximas quinta (18) e sexta-feira (19), onde os membros devem discutir e, potencialmente, votar sobre o acordo. A presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu é uma possibilidade animadora, caso o tratado seja aprovado.

Entretanto, Lula expressou preocupação com a lentidão na finalização do acordo, enfatizando que este pacto é mais favorável à Europa do que ao Brasil e ao Mercosul. “O [presidente da França, Emmanuel] Macron não quer fazer por causa dos agricultores deles, a Itália não quer fazer, não sei por causa do quê”, afirmou Lula, comentando sobre as resistências políticas que cercam o tratado.

Para que o acordo entre a UE e o Mercosul seja formalmente aprovado, é necessária uma maioria qualificada no Conselho Europeu, ou seja, o suporte de pelo menos 15 dos 27 Estados-membros e a representação de 65% da população do bloco. A França, ao lado de outros países como Polônia e Hungria, se destaca como um dos principais opositores do acordo, devido às preocupações quanto à concorrência de produtos agrícolas do Mercosul.

A Itália, que também se mostra cética, pode ter um papel decisivo neste processo. O agravante é que, além da resistência francesa e italiana, nações como Áustria e Irlanda já demonstraram possível oposição, enquanto a Bélgica anunciou sua intenção de se abster na votação.

Os desdobramentos desses debates e negociações nos próximos dias serão cruciais para determinar se o Mercosul e a União Europeia poderão finalmente celebrar um acordo que tem o potencial de transformar as economias de ambos os blocos. O mundo do comércio aguarda ansiosamente os próximos passos desse processo, que pode reconfigurar não apenas a relação entre Brasil e Europa, mas também influenciar o cenário econômico global.

Fonte: G1 Agro

Palavras Chave: Lula, Mercosul, União Europeia, acordo de livre comércio, comércio internacional, Foz do Iguaçu, salvaguardas agrícolas, Emmanuel Macron, cúpula do Mercosul,

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