A Tradição da Cachaça Artesanal
A produção de cachaça artesanal no Brasil é um verdadeiro patrimônio cultural, que combina técnicas ancestrais e paixão pelo ofício. No coração do estado de São Paulo, alambiques como o de Avelino dos Santos Modelli, em Vera Cruz, desempenham um papel vital na preservação dessa tradição. A jornada da cachaça começa com a minuciosa colheita da cana-de-açúcar, seguida por um processo que envolve cuidados especiais em cada etapa.
Processo de Produção
Após a colheita, as canas são lavadas e moídas para extrair a garapa, o caldo da cana que é rico em açúcares. Avelino explica que o desafio é ajustar o teor de açúcar para a fermentação, que deve ficar entre 14% e 16%. "Aqui na sala de destilação, vamos abaixar o teor de açúcar, garantindo que o fermento trabalhe da melhor maneira possível," afirma ele. Esse ajuste é crucial para transformar a garapa em mosto, dando início à fermentação, que leva de 24 a 28 horas, dependendo das condições climáticas.
Da Fermentação à Destilação
Depois de completada a fermentação, o mosto é bombado para o alambique de cobre, onde passará por um processo de destilação cuidadosamente controlado. Durante a destilação, a cachaça é dividida em três partes: a cachaça de cabeça, a cachaça coração e a cachaça cauda. "A cachaça coração é a que realmente importa e oferece a melhor qualidade", ressalta Avelino. Este é um fator chave que determina a excelência do produto final.
Envelhecimento da Cachaça
Após a destilação, a cachaça coração é armazenada em tonéis feitos de diferentes tipos de madeira, como carvalho, amburana, jequitibá rosa e amendoim. O envelhecimento em madeira é fundamental para desenvolver as características de sabor e aroma da cachaça, além de agregar valor ao produto. Alguns alambiques, como o de Álvaro Peixoto, em Ourinhos, utilizam um blend de jequitibá rosa e amendoim, elevando ainda mais a qualidade de suas produções.
Transformando um Hobby em Negócio
Álvaro, engenheiro agrônomo e produtor de cachaça, comprou um sítio em 2007 que já possuía uma estrutura de alambique. Embora a produção de cachaça tenha começado como um hobby, rapidamente ganhou notoriedade e reconhecimento. "Com o tempo, a cachaça que produzi começou a ser apreciada não apenas por amigos e familiares, mas também por especialistas na área," conta Álvaro.
Reconhecimento e Premiações
O esforço e a dedicação de Álvaro não passaram despercebidos. O alambique de Ourinhos se tornou membro da Câmara Setorial da Cachaça e, no concurso Cachaça SP, ganhou uma medalha de ouro pela sua cachaça premium. Mais recentemente, em um prestigiado concurso internacional no Chile, a cachaça envelhecida por 36 meses em carvalho conquistou a medalha de prata, consolidando a reputação do produto no cenário global.
Orgulho e Tradição
Com as premiações, Álvaro expressa seu orgulho ao afirmar que Ourinhos abriga uma das melhores cachaças do mundo. Isso não é apenas um reflexo da qualidade do produto, mas também do compromisso dos produtores em manter a tradição da cachaça artesanal. O alambique, além de gerar um produto de altíssima qualidade, promove a cultura e a herança brasileira, e serve como um exemplo de como a paixão e a técnica podem se unir para preservar a história.
Um Futuro Sustentável
À medida que a demanda por cachaça artesanal cresce, é fundamental que os produtores continuem a investir em técnicas sustentáveis e em práticas que respeitem a tradição. A valorização dos alambiques e a conscientização sobre a importância da produção artesanal são passos essenciais para garantir que essa herança cultural perdure para as futuras gerações.
Assim, a cachaça artesanal não é apenas uma bebida, mas uma representação rica da cultura brasileira, um símbolo de dedicação e um convite para que todos desfrutem das belezas do sabor do Brasil.
Fonte: G1 Agro
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