Nos últimos tempos, a região da Emília-Romanha, na Itália, tem enfrentado um desafio significativo: o aumento das temperaturas e as ondas de calor extremas que afetam diretamente a produção do famoso Parmigiano Reggiano. A tradição de criar queijo nesta região remonta a mais de 800 anos, e a forma como os agricultores lidam com as novas condições climáticas pode determinar seu futuro.
Historicamente, os agricultores costumavam abrir as janelas dos celeiros durante as noites de verão para refrescar o gado. No entanto, com as temperaturas atingindo picos de 40°C, essas janelas permanecem abertas durante todo o dia e noite para garantir a saúde das vacas, que são essenciais para a produção do leite. "O calor extremo afeta a qualidade e a quantidade do leite", declarou Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano.
A produção do autêntico Parmigiano Reggiano é limitada a cinco províncias, principalmente dentro da Emília-Romanha. Nela, as vacas devem ser alimentadas exclusivamente com capim e feno cultivados localmente. Bertinelli observou que "se não chove, o capim não cresce, o feno não pode ser produzido e, consequentemente, não teremos o leite necessário".
Além do efeito direto do calor na produção, os agricultores e produtores têm que lidar com custos crescentes. Dependendo da resposta ao calor, alguns já implementaram sistemas de ventilação e nebulização, mas essas medidas têm um custo elevado. “Durante os picos de calor, nosso consumo diário de energia aumentou em 30%”, afirmou Giancarlo Ravanetti, diretor dos armazéns onde as rodas de queijo são armazenadas.
As contas de energia mais altas têm um efeito dominó sobre toda a indústria do queijo. Os armazéns que armazenam mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, avaliadas em mais de 300 milhões de euros, estão correndo contra o tempo. Para lidar com essa situação, Ravanetti e sua equipe estão aprimorando os sistemas de refrigeração, melhorando o isolamento dos edifícios e investindo em energia renovável.
A tradição e a tecnologia se tornam inseparáveis em um ambiente climático tão desafiante. Cada roda de Parmigiano Reggiano passa por rigorosas avaliações de qualidade, que incluem exames de raio X para identificar defeitos e inspeções auditivas para detectar falhas durante o envelhecimento. "O fator humano continua sendo essencial e é a verdadeira força de todo o processo", esclareceu Ravanetti.
A indústria do Parmigiano Reggiano não é apenas uma parte vital da cultura italiana; ela movimenta uma economia robusta, gerando uma receita anual estimada em 4,5 bilhões de euros, empregando milhares de pessoas na região. Em 2025, as exportações já representavam mais de 50% das vendas globais do queijo, com os Estados Unidos figurando como o maior mercado externo.
Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas do grupo alimentício GranTerre, expressou preocupações sobre o futuro do produto. "Se os eventos climáticos extremos se tornarem mais duradouros e intensos, certamente terão impacto tanto na quantidade quanto na qualidade do leite, além de aumentar os custos", afirmou. A indústria do Parmigiano Reggiano enfrenta um dilema: garantir a qualidade e a quantidade do produto enquanto lida com as pressões climáticas.
Com toda essa instabilidade provocada pelo clima, a comunidade agrícola se une na esperança de inovar e adaptar-se. "Não queremos ser a última geração a comer esse queijo", disse Ganzerli, enfatizando a importância de ações para garantir a sobrevivência desta tradição duradoura que é muito mais do que apenas um alimento; é uma parte integral da identidade cultural e econômica da região.
Fonte: G1 Agro
Palavras Chave: Parmigiano Reggiano, Emília-Romanha, produção de queijo, aquecimento global, clima extremo, agricultura sustentável, custos de produção, leite, tradição italiana,
